Abelhas amazônicas se tornam primeiros insetos do mundo a ter direitos reconhecidos por lei; entenda

Abelhas passam a ter direitos no Peru Sidney Cardoso Elas não falam, mas agora podem ir ao tribunal para defender seus direitos. As abelhas da amazônia peruan...

Abelhas amazônicas se tornam primeiros insetos do mundo a ter direitos reconhecidos por lei; entenda
Abelhas amazônicas se tornam primeiros insetos do mundo a ter direitos reconhecidos por lei; entenda (Foto: Reprodução)

Abelhas passam a ter direitos no Peru Sidney Cardoso Elas não falam, mas agora podem ir ao tribunal para defender seus direitos. As abelhas da amazônia peruana se tornaram os primeiros insetos a obter direitos legais, após a aprovação de uma lei no Peru que permite que sejam representadas na Justiça sempre que sua sobrevivência ou seu habitat forem ameaçados. A decisão foi tomada na província de Satipo, no centro do país, e vale para a área da Reserva de Biosfera Avireri Vraem, uma região de floresta amazônica sob pressão ambiental. A legislação reconhece as abelhas como “sujeitos de direitos”, um status jurídico até então reservado apenas a humanos e, em alguns países, a ecossistemas. 🐝 E por que uma lei? cerca de 90% das plantas com flores dependem da polinização para se reproduzir, processo no qual as abelhas são essenciais. Sem elas, florestas inteiras entram em risco, assim como a produção de alimentos. A legislação vale para as abelhas amazônicas sem ferrão, do grupo Meliponinos, e todas as espécies desse grupo presentes em Satipo estão incluídas. Abelhas invadem paredes de apartamento e formam colmeia gigante; VEJA O que a lei determina A partir de agora, as abelhas passam a ter direito à existência, à manutenção de populações saudáveis e a viver em ambientes livres de poluição ou de impactos humanos que prejudiquem sua sobrevivência. A norma também autoriza defensores ambientais e povos indígenas a acionarem a Justiça em nome das abelhas. 🐝 Isso permite, por exemplo, questionar judicialmente a destruição de colmeias, o uso de agrotóxicos e outras atividades que afetem diretamente esses insetos. Na prática, a lei proíbe o uso de pesticidas químicos — inclusive os usados apenas para fins estéticos, como em jardins — e veta a queima ou eliminação de colmeias e enxames. Em áreas urbanas ou de risco, a orientação passa a ser o resgate e a realocação técnica das colmeias, em vez de sua destruição. A lei também prevê que as ações de conservação integrem conhecimento científico e saberes tradicionais dos povos indígenas, que convivem há séculos com essas espécies e dependem delas para o equilíbrio dos ecossistemas.