Baiana ganha cabra como salário, vira produtora de queijo e acumula medalhas com produtos premiados

Baiana ganha cabra como salário, vira produtora de queijo e acumula medalhas Quando a vida te dá limões, o ditado popular aconselha a fazer uma limonada. Mas...

Baiana ganha cabra como salário, vira produtora de queijo e acumula medalhas com produtos premiados
Baiana ganha cabra como salário, vira produtora de queijo e acumula medalhas com produtos premiados (Foto: Reprodução)

Baiana ganha cabra como salário, vira produtora de queijo e acumula medalhas Quando a vida te dá limões, o ditado popular aconselha a fazer uma limonada. Mas e quando a vida te dá uma cabra? Há cinco anos, a baiana Jaine Santana recebeu o caprino como salário e decidiu adaptar a expressão: ao invés da limonada, ela fez queijos premiados. Jaine é técnica em zootecnia pelo Instituto Federal Baiano (IF Baiano) e, em 2020, pediu demissão da fazenda onde trabalhava em Guanambi, no sudoeste do estado. Como não tinha vínculo empregatício formal, ela recebeu a cabra — que mais tarde se chamaria Safira — como último salário. "Eu não fiquei triste quando ganhei a cabra, porque sempre gostei de animais. Mas, no início, a ideia de fazer queijos parecia uma 'ideia de jerico', porque não tinha nada parecido na região". 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia A ideia de fazer queijos veio da sogra de Jaine, que já produzia os produtos com leite de vaca. Para se especializar na área, ela fez cursos no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e passou a desenvolver seus próprios produtos com o leite de Safira. Jaine, o marido e o filho com as medalhas dos concursos que venceram Arquivo Pessoal O primeiro grande retorno veio em 2023, quando inscreveu o seu queijo coalho no concurso do Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados (Enel) e levou o prêmio "super ouro". Mas esse foi só o primeiro título da JM Queijos Artesanais. Em outubro do ano passado, a empresa ganhou outras três medalhas no 1º Concurso do Queijo Artesanal da Bahia, que aconteceu em Salvador: 🥇 Ouro com o iogurte com adição de tamarindo; 🥈 Prata com o queijo coalho de leite caprino; 🥉 Bronze com queijo trufado com doce de umbú. De acordo com o coordenador de agronegócio do Sebrae Bahia, Wagner Carvalho, as medalhas de ouro, prata e bronze são dadas a produtores que cumprem requisitos de qualidade e atingem pontuações específicas. Ou seja, mais de um queijo pode receber medalha de ouro. Iogurte e queijo premiado da JM Queijos Artesanais Arquivo Pessoal Depois dos prêmios, a família de cabras aumentou e Safira ganhou as irmãs Sabrina, Amora, Valéria, Dinha, Pequena e Pretinha. Elas vivem junto com Jaine, o marido e o filho do casal na zona rural de Guanambi, onde os itens também são produzidos. "Fui procurando saber, aprender e me especializar. Acabei me apaixonando pelos animais e pelo processo", contou, animada. Atualmente, Jaine trabalha na regularização dos produtos da queijaria. União de produtores Representante da Capribéee no 2º Festival do Queijo Artesanal da Bahia Arquivo Pessoal No norte da Bahia, a produção de queijos com o leite de cabra também tem mudado a vida de diversas famílias. Em 2023, produtores das cidades vizinhas de Jaguarari e Curaçá decidiram unir forças com duas cooperativas. Dessa fusão, nasceu a Capribéee. Além do nome criativo — a mistura do substantivo "caprino" com o "béee", som feito pelos animais —, a cooperativa criou produtos premiados, como o queijo meia cura, lajinha e tipo chevrotin. 🏆 O projeto deu tão certo que em 2025 a cooperativa foi considerada a melhor queijaria da Bahia no Prêmio Queijo Brasil. "Esse projeto foi muito sonhado. Muitas pessoas não acreditavam, porque moramos no semiárido, mas fizemos acontecer. Hoje vejo que muitas famílias sobrevivem através da renda desse projeto", avaliou a diretora-presidente da associação, Eugênia Ribeiro. Atualmente, a cooperativa tem 48 cooperados assalariados, sendo a maioria mulheres. Como reforça Eugênia, elas desempenham um papel importantíssimo no processo com a agricultura familiar: é através desse modelo de produção que o leite de cabra chega na fábrica para ser transformado em um dos 27 produtos da Capribéee. "As pessoas estão sobrevivendo com a renda desse projeto. Elas não precisam se deslocar para outras cidades para buscar emprego", exemplificou. Cooperados da Capribée durante curso do Sebrae Redes sociais Para Wagner Cezar, gestor de projetos e coordenador no Sebrae Bahia, o cooperativismo é fundamental para a competitividade neste setor, porque é muito difícil um produtor, sozinho, conseguir participar de um programa de incentivo. Juntos, porém, os trabalhadores conseguem se adequar às normas com mais facilidade. "Não basta apenas produzir um queijo bom, é preciso ter escala de venda, acesso de mercado e, para isso, são necessários selos de inspeção, investimentos. É o cooperativismo que vai dar força para essa cadeia". Neste contexto, o Sebrae auxilia as cooperativas com as regulações necessárias. A própria Capribée foi cliente da entidade, que auxiliou na gestão financeira, estratégica e de processos através de consultorias. Qualificação e reconhecimento Medalhas conquistadas pela Carpibéee em um dos concursos que participou Arquivo Pessoal De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia tem o maior rebanho de caprinos do país, com 4,2 milhões de animais, conforme dados coletados em 2024. O norte do estado se configura como a região mais produtora, com 10 cidades como as primeiras colocadas do ranking. Cidades com maior rebanho de caprinos na Bahia Os números refletem o envolvimento de milhares de produtores, além de empresas ligadas ao setor, que podem se beneficiar com capacitação. O Sebrae promove cursos para quem atua com os animais no dia a dia, como a adequação do manejo nutricional do rebanho, boas práticas na pecuária e até melhoria genética de caprinos. Embora esses cursos não sejam diretamente relacionados à produção de queijos, o material de ensino auxilia no tratamento e no bem-estar dos animais — o que consequentemente influencia na qualidade do leite. A entidade ainda promove e apoia feiras e concursos para que os empreendedores sejam conhecidos e avaliados. Para Eugênia, participar dessas competições dá até mais segurança ao trabalho porque mostra que o produto está dentro "dos padrões de qualidade". 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