Brasileiros relatam momentos de angústia após ataques no Oriente Médio: 'Nunca corri tanto'

Momentos de angústia, medo, desespero e ameaça à vida de civis com a guerra. Os ataques deste sábado (28) no Oriente Médio também ameaçaram a vida de bra...

Brasileiros relatam momentos de angústia após ataques no Oriente Médio: 'Nunca corri tanto'
Brasileiros relatam momentos de angústia após ataques no Oriente Médio: 'Nunca corri tanto' (Foto: Reprodução)

Momentos de angústia, medo, desespero e ameaça à vida de civis com a guerra. Os ataques deste sábado (28) no Oriente Médio também ameaçaram a vida de brasileiros que moram ou estavam viajando por áreas do conflito. Em entrevista à repórter Renata Ceribelli, eles contaram como se protegeram e relataram os momentos de angústia que estão enfrentando. Logo que as primeiras bombas caíram sobre o Irã, o brasileiro tricampeão mundial de jiu-jitsu William Salvino mandou esta mensagem para sua noiva. "Quando eu ouvi o primeiro bombardeio, tipo, chegou até, estremeceu o prédio que eu tava, de tão forte que foi. Eu levantei meio atordoado, sem saber onde estava. Muitas pessoas correndo, com a mão na cabeça", dizia a mensagem de voz. "E depois disso ele ficou incomunicável", diz Rita Galvez, esposa do lutador. William estava em Teerã para treinar a seleção do país. "Eu choro, eu paro de chorar. Você não acredita que é com você, que você tá passando por isso. É um pesadelo", conta. Essa é a mesma angústia da iraniana Saena Sadighiyan, professora de sociologia exilada na França desde 2017. Apenas seus pais moram em Paris com ela. O restante da família está no Irã. Saena: "Eu tenho as irmãs dos meus pais, seus filhos, que são meus primos, meus melhores amigos com quem eu cresci lá". Renata Ceribelli: "Você parou de receber notícias deles?". Saena: "Tudo está cortado tudo, não posso falar com eles. Em cidades mais pequenas que a capital algumas vezes há uma conexão, pode passar mensagem pelo WhatsApp, mas na capital, tudo está bloqueado". "Eles estavam sem luz, sem internet, sem sinal. Tinha o telefone de alguém, que em alguns momentos eles pegavam para poder todo mundo ligar e mandar mensagem, mas isso a cada quatro, cinco horas", diz Rita, esposa de William. Quando a retaliação do Irã aos ataques atingiu Tel Aviv, foi a vez dos israelenses sofrerem as consequências da guerra. Ao ouvir as sirenes de alerta de bombardeio, os moradores têm até um minuto e meio para chegar ao abrigo antibombas mais próximo. Rachel Sáfidi conversou com o Fantástico de dentro de um bunker para contar como se protegeu durante os ataques: "O governo manda para a gente alarmes nos nossos telefones avisando em hebraico, inglês, árabe e russo que em poucos minutos é possível que a gente veja mísseis balísticos vindo às nossas direções. Poucos minutos depois, veio a sirene". "Você precisa chegar antes de você escutar o boom, porque o boom é ou a interceptação no ar, ou é que realmente atingiu um alvo aqui em Israel", diz. Rachel tem 22 anos e já foi sargento do exército de Israel. Em sua rede social, mostra a rotina da guerra. "Vou te falar, Renata, eu tô aqui há oito anos e essa foi a primeira vez, eu nunca corri tanto por um abrigo quanto eu corri hoje". "Tem gente que está indo ficar nos trens, embaixo da terra em estacionamentos, imagina, estacionamento de um shopping e tem quatro em áreas subsolos, tem gente que está indo ficar lá, dormir, famílias inteiras assim, dormindo em seus carros", relata. Renata Ceribelli: "Qual é o clima de onde você está agora?". Rachel: "Tem criança chorando, tem gente, tem cachorros. Tudo muito sujo, tiveram que tirar baratas daqui hoje de manhã. As crianças, quando elas ficam com medo, quando escutam as sirenes, eles perguntam para os pais, 'o que é um drone?'". Rachel gravou um vídeo mostrando o bunker sem identificar as demais pessoas abrigadas, que pediram para não aparecer. Ela comenta que o local tem uma janela de emergência, para caso eles fiquem soterrados embaixo da terra. "É uma janela com concreto reforçado, mas dá para abrir por lá e nos resgatar. Tem até uma escada aqui", diz. Segundo Rachel, o bunker tem 10 metros por 25 metros, abrigando cerca de cinco famílias, o que seriam aproximadamente 40 pessoas. "Minha família não está preparada para a guerra. A população iraniana não estava preparada para essa guerra, não tem o que comer, não estão estão preparadas com água. Os carros não têm fuel [combustível] para sair do Teerã", diz Saena. Era nesse cenário que o campeão de jiu-jitsu tentava, na tarde deste sábado, deixar o Irã. Rita contou ao Fantástico os próximos passos do lutador para escapar da zona de conflito. "Depois de quase cinco horas sem falar com ele, ele me ligou muito rápido, em questão de 20 segundos, ele me informou que conseguiram um carro e um motorista para levar ele para a Turquia, para ele fazer essa travessia do Irã para a Turquia, de carro", contou. "Eu falei 'será que não é melhor você esperar um pouco? É seguro fazer isso?' Ele falou 'é a opção que eu tenho agora', e ele informou que tinha acabado de ter um bombardeio novamente, então ele estava muito assustado na ligação. Daqui a gente só consegue orar e pedir a Deus mas não tem o que fazer". A boa notícia veio neste domingo (1°) pela manhã: depois de nove horas de viagem, William chegou à Turquia. Mas ainda é difícil prever quando ele conseguirá voltar ao Brasil. 1600 voos que chegariam ou sairiam do Oriente Médio foram cancelados desde o começo dos ataques. A ofensiva iraniana espalhou destruição e pânico em pelo menos oito países da região. Em Dubai, destroços de um drone interceptado atingiram este hotel de luxo e um terminal do aeroporto internacional, ferindo quatro funcionários. Em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, uma pessoa morreu e sete ficaram feridas. Desde sábado (28), circulam imagens de protesto e também de comemoração no Irã pela morte do aiatolá Ali Khamenei. No Brasil, em São Paulo, um grupo de iranianos brindou: "Saúde para o povo do Irã, que estão lutando contra o regime de ditadura islâmica. Saúde! Javichá!", celebraram. "Até foi meio estranho, porque a gente está um pouco chateado que um país de fora está atacando o nosso país, mas fora disso, a gente está muito feliz com a caída dessa ditadura islâmica", diz o empresário Aria Nassir. "Eu posso voltar. Essa foi uma sensação que eu tive. Eu posso voltar depois de 12 anos. Visitar a minha família, de visitar a minha cidade, visitar os amigos que eu deixei para trás e fui embora", comenta Maryam, chefe de cozinha. A iraniana Saena não comemora. Para ela, o momento é de cautela. "Porque toda a situação é complicada, é uma guerra. Uma guerra sempre vem com complicações, sempre vem com controvérsia, sempre tem que estar tomada com muita cautela". Brasileiros relatam momentos de angústia após ataques no Oriente Médio: 'Nunca corri tanto' Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.