Chuvas destroem casas e indígenas ficam sem água potável por uma semana no interior de Roraima: 'Sofrimento'

Chuvas fortes destroem casas em comunidades indígenas “Tinha gente desesperada, chorando, gritando”. É assim que a tuxaua da comunidade indígena Macaco, ...

Chuvas destroem casas e indígenas ficam sem água potável por uma semana no interior de Roraima: 'Sofrimento'
Chuvas destroem casas e indígenas ficam sem água potável por uma semana no interior de Roraima: 'Sofrimento' (Foto: Reprodução)

Chuvas fortes destroem casas em comunidades indígenas “Tinha gente desesperada, chorando, gritando”. É assim que a tuxaua da comunidade indígena Macaco, Valdina Silva, de 52 anos, relembra a noite em que as enchentes atingiram o município de Normandia, ao Norte de Roraima, há uma semana. As fortes chuvas destruíram casas e deixaram quase 200 pessoas sem energia elétrica, água potável e comida. Normandia é um dos sete municípios em situação de emergência em Roraima. Além da região do Macaco, comunidades próximas, como Santa Cruz, Serra Grande e Jibóia, também estão completamente isolada. A prefeitura acompanha a situação das enchentes e o governo montou uma força-tarefa e envio de ajuda humanitária à áreas isoladas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Valdina disse que, uma semana antes das enchentes, os moradores da comunidade Macaco, do povo Macuxi, já estavam sem energia elétrica e enfrentavam dificuldades de comunicação. A situação provocou a perda de alimentos armazenados em geladeiras, incluindo a merenda escolar. “Estava sendo uma semana muito ruim para nós. Naquela noite, a gente ouviu um barulho forte, mas ninguém imaginava que era a água chegando daquele jeito. Foi tudo muito rápido. Muita gente passou a noite em pé ou em cima de árvores”, disse. Chuvas fortes destroem casas em comunidades indígenas Arquivo As casas da comunidade, feitas de adobe — técnica de construção com terra —, tiveram as paredes destruídas, o que impossibilitou que as famílias permanecessem nas residências. 🔍Casas de adobe são construídas com tijolos feitos de terra crua, água e, em alguns casos, palha, moldados manualmente e secos ao sol. Além disso, moradores como James Milton, de 54 anos, que vivem da agricultura e da criação de animais, também tiveram perdas provocadas pelas chuvas. “A gente está muito triste. É difícil perder a casa e ter que sair do lugar onde morava. Hoje estou ficando na escola da comunidade, porque não tenho para onde ir. É muito sofrimento”, relatou James. “Agora preciso procurar outro lugar para construir uma nova casa. Minha expectativa é conseguir pelo menos fazer uma barraca para me abrigar. Preciso de ajuda com material, porque já estou mais velho e sozinho fica muito difícil reconstruir tudo”, explicou. ‘Completei 67 anos ilhada’ A tuxaua da comunidade Jibóia, Maria Cleunice Servino, de 67 anos, disse que, até essa segunda-feira (1ª), a localidade não havia recebido nenhum tipo de ajuda. “Aqui ninguém recebeu nem um quilo de arroz sequer. Nós vivemos do que plantamos e criamos. Estamos muito prejudicados. O que mais dói é ver as crianças nessa situação. No sábado, quase morreram duas crianças tentando atravessar a água. Graças a Deus conseguimos puxar elas e salvar”, disse. Maria, do povo Wapichana, vive na região desde 1976. Nesta semana, ela fez aniversário em meio ao isolamento causado pelas enchentes. “Completei 67 anos ilhada”, afirmou. “Já tivemos enchentes antes, normalmente de três em três anos, mas nunca como essa. As outras enchiam e baixavam, não chegavam nesse nível.” A tuxaua informou que a água consumida pela comunidade vem do rio, já que os moradores enfrentam dificuldades para utilizar os poços artesianos. Segundo ela, a situação tem provocado problemas de saúde entre as pessoas, que apresentam sintomas como febre, dor de barriga e vômito. “Na minha casa, a gente está matando as galinhas do terreiro para comer. Ainda não estamos passando fome porque criamos animais, mas as criações estão acabando. Precisamos de ajuda com alimento e água”, disse. Situação em Normandia A prefeitura de Normandia decretou situação de emergência devido aos impactos causados pelas fortes chuvas que atingem o município nas últimas semanas. O decreto, assinado na última sexta-feira (29) pelo prefeito Dr. Raposo (PP), tem validade de 180 dias A medida municipal ocorre em meio a um cenário crítico de enchentes que já deixaram comunidades indígenas isoladas e milhares de crianças sem ir à escola. Segundo o documento, as chuvas intensas registradas desde o final do mês de abril elevaram o nível das águas e causaram o transbordamento dos rios Maú e Cotingo, além dos igarapés Inamará e Juruaquim. Cerca de 16 mil pessoas já foram atingidas pelas chuvas em Normandia. Comunidade está isolada em Normandia Arquivo 16 mil pessoas já foram atingidas por chuvas em Normandia Arquivo Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.