Consórcio Mez-RZK Novo Centro vence leilão para construir a nova sede do governo no Centro de SP por R$ 6,1 bilhões
Leilão do novo centro administrativo do governo de SP está marcado para esta quinta (26) O Consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o vencedor do leilão realizado ...
Leilão do novo centro administrativo do governo de SP está marcado para esta quinta (26) O Consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o vencedor do leilão realizado nesta quinta-feira (26) para construir a nova sede do governo de São Paulo, no Centro da capital paulistana. A obra vai custar cerca de R$ 6,1 bilhões e tem promessa de entrega até 2030. O projeto, uma das principais bandeiras de campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), prevê a transferência do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para um complexo de prédios no entorno da Praça Princesa Isabel. O MEZ-RZK Novo Centro ofereceu um desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública, que será o valor pago mensalmente pelo estado durante os 30 anos de concessão. O valor máximo havia sido fixado em R$ 76,6 milhões. Com o desconto, esse valor ficará em R$ 69,2 milhões por mês. A construção do megacomplexo administrativo será feita por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), em que o governo paulista entra com metade do valor - aproximadamente R$ 3,4 bilhões em dinheiro público do Tesouro do Estado. O consórcio vencedor é formado pelas construtoras Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property. Além de construir o complexo, a empresa terá o direito de explorar comercialmente o espaço por 30 anos, incluindo estacionamentos, lojas, restaurantes e quiosques que serão erguidos no local. Projeção da nova sede do Governo de SP no Centro da capital paulista Divulgação/GESP Apenas duas empresas apresentaram interesse na principal obra do governo Tarcísio. Foram elas: Consórcio Acciona-Construcap; Consórcio MEZ-RZK Novo Centro, formado por Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property. A empresa vencedora ficará responsável pelas seguintes obras na área: Construir sete edifícios e dez torres para abrigar o gabinete do governador e 28 secretarias e órgãos estaduais; Restaurar 17 casarões tombados na região, que serão incorporados ao complexo; Realizar desapropriações e pagar indenização dos moradores; Operar, manter e gerir o complexo durante todo o contrato, incluindo serviços de limpeza, segurança e manutenção. Atualmente, cerca de 22 mil servidores estaduais estão distribuídos em mais de 40 endereços na capital. A proposta é centralizar as estruturas em um único local, com redução de custos administrativos e modernização da gestão pública. Mesmo com a mudança, o governador manterá a residência oficial no Palácio dos Bandeirantes. Projeção da nova sede do Governo de SP no Centro da capital paulista Divulgação/GESP Protestos de moradores do Centro O leilão na sede da B3 foi marcado por protestos do lado de fora. Alguns moradores de imóveis que serão desapropriados e demolidos para a construção do novo centro administrativo do governo paulista, nos Campos Elísios, centro da capital, fizeram um protesto contra o projeto nesta quinta-feira (26). O grupo de cerca de 30 pessoas - incluindo militantes de movimentos de moradia - se reuniu em frente à B3, onde está sendo realizado o leilão para selecionar a empresa que fará as obras e assumirá a gestão do complexo pelos próximos 30 anos. Moradores de Campos Eliseos, fazem protesto na frente da B3, no Centro de SP, nessa quinta-feira (26). Leonardo Zvarick/g1 O projeto prevê a remoção de aproximadamente 600 famílias de casas e prédios localizados nas imediações da Praça Princesa Isabel. Moradores ouvidos pelo g1 criticam a falta de transparência no processo, já que até agora não sabem se a indenização que vão receber será suficiente para comprar um novo imóvel na região. "Nós já enfrentamos um problema muito antigo que é a questão da cracolândia. Devido à incompetência do próprio estado em gerir o problema do tráfico de drogas, os nossos imóveis passaram por uma desvalorização enorme. De repente ficamos sabendo que nossos imóveis serão desapropriados", disse Silvio Monteiro de Lima, de 56 anos, morador dos Campos Elíseos há mais de duas décadas. Segundo ele, proprietários de imóveis ainda não têm ideia de quanto receberão. "Ninguém é contra melhorar o centro, nós somos a favor. O problema é que ninguém nos procura, ninguém nos esclarece. Corre risco do estado nos prejudicar duas vezes", acrescentou Silvio. A jornalista Jeniffer Mendonça, de 29 anos, nasceu e cresceu no bairro. Ela soube pela TV, há dois anos, que a casa da família, na Avenida Rio Branco, está na lista de desapropriações. Mendonça diz que desde então não foi mais procurada pelo governo após uma primeira consulta pública. "Nessa audiência, houve a promessa de que a gente teria uma reunião com as devolutivas sobre o projeto e até hoje isso não aconteceu. O governo do estado não promove transparência pra gente. Tirar a minha vida dali é muito frustrante e angustiante. Ver que, do dia pra noite, tudo o que a gente construiu ali vai ser demolido", disse ela. Também participaram da manifestação membros do LabCidade, grupo de pesquisa da FAU-USP, que criticaram o projeto pelas "remoções e pela transferência do território ao mercado imobiliário", disse Débora Ungaretti, do LabCidade. Como será o novo centro administrativo O projeto arquitetônico foi escolhido por meio de concurso público nacional organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP), que registrou recorde de inscrições. A proposta vencedora é do escritório Ópera Quatro Arquitetura, liderado por Pablo Chakur, que será responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo. A nova estrutura ocupará quatro quadras entre a Rua Conselheiro Nébias e a Alameda Barão de Piracicaba. O complexo terá capacidade para cerca de 22 mil servidores e contará com teatro, auditórios, salas multiuso e outros espaços institucionais. Os prédios terão fachadas ativas — com comércio e serviços no térreo — e estacionamentos subterrâneos. Ao todo, serão 25 mil metros quadrados destinados a comércio e serviços. O Palácio dos Campos Elíseos, construção centenária que já foi sede do governo no século passado, será restaurado com móveis originais da década de 1930 e servirá como sala de visitas do governo. Um túnel subterrâneo deve conectar diretamente o edifício à nova sede administrativa. Palácio dos Campos Elíseos será restaurado e integrado ao novo centro administrativo do governo paulista Divulgação/Carlos Pires Além dos prédios administrativos, o plano inclui: Construção de mais de 6 mil moradias na região central, sendo 55% destinadas à população de baixa renda; Ampliação e requalificação da Praça Princesa Isabel, que deve se transformar em um boulevard; Alargamento de calçadas e criação de trechos exclusivos para pedestres; Ampliação em mais de 40% da área verde do parque; Instalação de teatro, auditórios e espaços multiuso. Ruas como Helvetia, Guaianases e Alameda Glete terão trechos destinados exclusivamente a pedestres. O Terminal Princesa Isabel será desativado e substituído pelo Terminal Luz, com conexão à Estação da Luz por meio de túnel em construção pela CPTM. A estimativa do governo é que as obras gerem cerca de 38 mil empregos durante a fase de construção, prevista para terminar até 2030. Comissão escolhe projeto do novo centro administrativo Desapropriações e impacto social Para viabilizar o projeto, cerca de 230 imóveis residenciais deverão ser desapropriados. Aproximadamente 600 famílias foram mapeadas na área de intervenção, e parte delas já está cadastrada para indenização ou inclusão em projetos habitacionais. A estimativa de gastos com desapropriações é de cerca de R$ 500 milhões. Parte da área é classificada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), o que exige a previsão de habitação popular. Aprovação da população Uma pesquisa do Datafolha com 1.564 entrevistados aponta que 64% dos paulistanos consideram a mudança ótima ou boa. Entre moradores ou trabalhadores da região central, 83% acreditam que o projeto trará mais segurança. Também são esperadas melhorias na limpeza urbana (80%), na oferta de empregos (74%), no turismo (70%) e nas condições de moradia (55%). Para a população da cidade em geral, 77% acreditam que haverá melhora na segurança, e entre 79% e 84% avaliam que o projeto trará mais benefícios do que prejuízos para moradores, comerciantes, trabalhadores e para a cidade. Por outro lado, 47% dos entrevistados acreditam que o trânsito pode piorar. Também há divisão quanto à capacidade do estado de concluir a obra até 2030 e quanto aos impactos sobre a população vulnerável do entorno.