De diarista a piloto de avião nos EUA, goiana celebra conquistas: ‘É importante ser muito persistente’

De diarista a piloto de avião nos EUA, goiana celebra conquistas Com apenas 28 anos, Fabricia Azevedo vive um sonho nos Estados Unidos, onde mora, que acabou ...

De diarista a piloto de avião nos EUA, goiana celebra conquistas: ‘É importante ser muito persistente’
De diarista a piloto de avião nos EUA, goiana celebra conquistas: ‘É importante ser muito persistente’ (Foto: Reprodução)

De diarista a piloto de avião nos EUA, goiana celebra conquistas Com apenas 28 anos, Fabricia Azevedo vive um sonho nos Estados Unidos, onde mora, que acabou acontecendo de formas inesperadas, mas que a jovem atribui a pessoas boas que cruzaram o seu caminho desde quando ela saiu da pequena cidade de Itaberaí, no noroeste de Goiás. Depois de trabalhar em várias profissões, como diarista e ajudante na construção civil, a goiana hoje é piloto de voos executivos, inclusive internacionais. Em entrevista ao g1, Fabricia contou que enquanto morava na sua cidade-natal nunca tinha pensado em se mudar para o exterior. "Na cidade pequena, a gente vê isso só na televisão", comentou. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Goiás no WhatsApp Em 2018, quando tinha 21 anos, ela trabalhava como vendedora de biquíni para a sua ex-sogra e fazia faculdade de direito em São Luís de Montes Belos. Quando o relacionamento com o ex-namorado chegou ao fim, ela repensou a própria vida pessoal e também profissional. "E eu pensei: e agora? O que que eu vou fazer, né? Que eu vou ficar aqui em Itaberaí, se meu trabalho não der certo, como que eu vou pagar minha faculdade?", disse. A goiana Fabricia Azevedo deixou Itaberaí e hoje mora nos Estados Unidos, onde trabalha como pilota de aviões executivos Reprodução do Instagram/ Perfil de Fabricia Azevedo LEIA TAMBÉM Goiana transforma bico em empresa de faxinas nos EUA e fatura mais de R$ 14 milhões por ano Goiano faz sucesso vendendo pequi nos Estados Unidos Vasp: Companhia que foi dona do avião estacionado em fazenda foi uma das pioneiras da aviação comercial do Brasil e chegou ao fim em 2005 Um determinado dia, enquanto conversava com um amigo que morava em Palm Beach Gardens, na Flórida, nos Estados Unidos, ele lhe deu a ideia de se mudar para lá. "E eu falei: mas como que eu vou tirar um visto? Minha família é muito humilde, a gente não tem nada no nome da gente, eles não vão aprovar", relembrou. Mas decidiu arriscar. A jovem vendeu o carro que tinha e pegou dinheiro emprestado para conseguir tirar o visto e custear a sua ida. Visto aprovado, ela embarcou rumo ao desconhecido, tanto em relação ao país quanto à própria língua, uma vez que Fabricia não falava uma palavra sequer em inglês. Chegando à mesma cidade onde o amigo morava, ela alugou um quarto, que foi o que podia pagar na época, que ela ainda dividia com outra pessoa. Começava ali a sua jornada sem ela fazer a menor ideia que culminaria na aviação. Faxinas Precisando de dinheiro, Fabricia começou a fazer faxinas nas casas dos norte-americanos. Mas não apenas isso. Atuou também na construção civil, em obras, fazendo a preparação de paredes antes de receberem pintura. "Naquela época, pela limitação da língua mesmo, era a mão de obra que dá pra fazer sem se comunicar", afirmou. Passados seis meses, ela já estava falando inglês com bastante desenvoltura, não por ter feito cursinho, mas porque desenvolveu métodos próprios dos brasileiros que sabem "se virar". "O quarto que eu alugava tinha todas as palavras em inglês. Eu tentava aprender pelo menos dez palavras por dia. Eu escrevia no meu braço, escrevia na minha mão, falava... saía de casa, falava com as pessoas na rua, ouvia YouTube, colocava no carro só inglês... e praticava, né?", destaca. Antes de se tornar piloto nos Estados Unidos, Fabricia Azevedo trabalhou como faxineira e na construção civil Arquivo pessoal/ Fabricia Azevedo De forma totalmente inesperada, foi o trabalho com faxinas que lhe abriu as portas para o mercado de aviação. A goiana conta que os proprietários de uma das casas que ela limpava tinham uma empresa que alugava aeronaves para clientes. Percebendo o seu progresso rápido no inglês, eles falaram que estavam precisando de uma aeromoça. "Porque eu sabia cozinhar, sabia fazer todos os drinks, né, essas coisas que aeromoça precisa saber. Mas mesmo assim, eu tive que fazer o curso", detalhou. A goiana destaca que, na ocasião, a única viagem de avião que havia feito tinha sido a de Itaberaí para Palm Beach Gardens. O passo seguinte ao do convite foi o curso e também a presença em uma convenção da National Business Aviation Association (NBAA), evento que reúne pilotos, aeromoças e outros profissionais do setor. "Foi aí que começou. Trabalhei por dois anos como aeromoça executiva de jato privado", disse. A versatilidade da jovem não parou por aí. Além de aeromoça, Fabricia decidiu trabalhar também como corretora de imóveis, profissão muito bem remunerada nos Estados Unidos. Nos dias em que ela não estava voando, ela vendia casas. A mudança Certo dia, em um dos voos em que trabalhava como aeromoça, o jato retornou ao ponto de origem vazio, sem passageiros. O copiloto saiu da estação e lhe perguntou se ela gostaria de sentar ali no seu lugar, no banco da frente. De imediato, ela se recusou, por timidez. Depois, aceitou. A breve experiência na cabine daquele jato lhe encantou. "Eu fui, sentei na cadeira do copiloto. O comandante desconectou o piloto automático e falou: 'ah, faz um vira pra esquerda, um pra direita". E aí, eu fiz e falei: é isso aqui que eu vou fazer da minha vida'", relembra. Os capítulos seguintes da sua história seriam de muito estudo e dedicação. Fabricia conta que não fazia ideia do tamanho da preparação necessária para se tornar piloto. Foram mais de dois anos de cursos, realizados em vários estados: Texas, Califórnia e Flórida. "É uma carreira que exige muita determinação e você tem que amar pra fazer", reconheceu. De forma resumida, a goiana explicou que o passo a passo das licenças são: piloto privado: licença que permite que você voe, por exemplo, levando amigos, sem cobrar pelo serviço; instrumento: autoriza voar dentro de situações climáticas que o piloto não consegue ver, só usando seus instrumentos pra voar. licença para pilotar aviões bimotores; licença para atuar como piloto profissional. Desde 2023 Fabricia pilota aeronaves em voos executivos. Com a renda que conseguiu na aviação, ela já conquistou o seu primeiro imóvel, em Miami. A goiana também consegue ajudar a sua família, que ficou no Brasil. Ela relata que, em média, é possível o piloto faturar cerca de R$ 50 mil por mês na profissão. Apesar de apenas três anos na aviação executiva, a piloto já tem no currículo jatos cujas velocidades ultrapassam os 800 km/h. É o caso, por exemplo, do Hawker 800, que faz voos transcontinentais e pode levar até dez passageiros. Os destinos de Fabricia, aliás, já compõem uma lista extensa, que inclui o próprio Brasil, Peru, Argentina, Reino Unido, Islândia e Bahamas, sendo esse último um dos mais frequentes nas suas rotas. A goiana deseja, porém, voos ainda mais altos. Na profissão e na vida. Além do desejo de se tornar empresária, entre os planos para o futuro está o de obter a licença de piloto de linha aérea, que permite pilotar aviões comerciais das grandes companhias. "Todo piloto tem vontade de voar uma aeronave maior, carregar todos os passageiros atrás. Acho que todos nós carregamos esse sonho dentro do coração, de chegar a esse nível", afirmou. Fabricia finaliza definindo a experiência de estar voando, em meio às nuvens, como um "milagre", pelo qual ela tem muita gratidão. "É a minha felicidade. Voar não é só a minha profissão. É o que eu realmente amo fazer", declarou. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.