Dino relata hostilidade de funcionária de companhia aérea que disse ter vontade de matá-lo
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatou, nesta segunda-feira (18), que foi hostilizado por uma funcionária de uma companhia aérea,...
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatou, nesta segunda-feira (18), que foi hostilizado por uma funcionária de uma companhia aérea, que declarou que seria "melhor matar do que xingar" o magistrado. Flávio Dino em sessão plenária do STF Luiz Silveira/STF Em uma postagem numa rede social, o ministro contou que após olhar seu cartão de embarque, a funcionária disse a um policial do STF, que acompanha o ministro e é responsável por sua segurança, que sentiu vontade de xingá-lo. Segundo Dino, "em seguida se 'corrigiu': disse que seria melhor matar do que xingar. Como não a conheço, nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no STF". O ministro não quis informar o aeroporto, o nome da funcionária, a empresa nem a data do ocorrido. Mas o episódio ocorreu nesta segunda-feira, em São Paulo. Vídeos em alta no g1 Educação cívica O ministro ressaltou que a questão não é pessoal, uma vez que condutas como essas podem impulsionar outras ações. "Imaginemos que outros funcionários, da mesma ou outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos e, por conseguinte, de outros passageiros. Imaginemos se isso se alastra para outros segmentos de negócios: um cliente corre o risco de, por exemplo, ser envenenado?", afirmou. Dino defendeu que é preciso promover educação cívica. "Assim, o pedido que faço às empresas em geral, mas especialmente àquelas que lidam com o público, é que façam campanhas internas de educação cívica para que todos possam conviver em paz, especialmente nesse ano eleitoral, em que muitos sentimentos se acirram". Ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 16/04/2026 Luiz Silveira/STF "Cada um tem sua opinião, suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa, ao consumir um serviço ou produto. Pode ter sido um “caso isolado”. Porém, com o andar do calendário eleitoral, pode não ser. Então é melhor prevenir. Essa é a sugestão para as empresas e entidades empresariais: orientem e estimulem com campanhas educativas os seus prestadores de serviço a manter o respeito a todas as pessoas, independentemente de preferências, simpatias, opiniões. Será o melhor para a empresa e para os consumidores. Será o melhor para o Brasil", concluiu. Solidariedade de Fachin Num evento de posse de novos integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, prestou solidariedade ao colega. "Manifestamos nossa solidariedade ao ministro Flávio Dino diante do grave fato, incidente ocorrido hoje, num dos aeroportos de São Paulo, cujo relato foi tornado público. O respeito a todas as pessoas, tenham ou não funções públicas, instituições e autoridades legitimamente constituídas, é condição essencial da convivência republicana". Fachin já havia divulgado uma nota afirmando que a "divergência de ideias, própria da democracia, jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal." "Impõe-se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana", escreveu. No discurso, o presidente do Supremo criticou o uso de ataques políticos com finalidade eleitoral para deslegitimar instituições. O ministro afirmou que o Judiciário tem que inspirar confiança para manter sua credibilidade. Segundo Fachin, é preciso "coragem e equilíbrio para resistir e enfrentar ações que diluem a institucionalidade". O presidente do STF, Edson Fachin Luiz Silveira/STF "Criticar é legítimo. Deslegitimar, não. Divergir é próprio do regime democrático. Fragilizar as instituições que o sustentam é abrir caminho para a instabilidade e para o arbítrio", afirmou Fachin. O presidente do STF disse que discordâncias e propostas para aprimorar as instituições contribuem para o fortalecimento da democracia. "Financiar de forma sistemática, e com finalidade eleitoral, informações falsas enfraquece a institucionalidade, os Poderes da República e o tecido social. A liberdade de expressão política é um valor constitucional que sempre deve ser preservado. Ao lado, a Constituição também protege as condições institucionais sem as quais a própria democracia não funciona. Isso inclui a integridade do debate público contra campanhas coordenadas de desinformação financiada".