Dois investigados de Garanhuns são alvos de nova fase da Operação Sem Desconto da PF; saiba quem são
PF encontra dinheiro em saco de lixo na casa de servidor do INSS em PE A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira (27) pela Polícia ...
PF encontra dinheiro em saco de lixo na casa de servidor do INSS em PE A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira (27) pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), tem dois investigados ligados a Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Os alvos são Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS no município, e Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do INSS e da Superintendência Regional do Nordeste. 🔎 Segundo as investigações, a operação apura a atuação de núcleos regionais envolvidos em fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. Em Pernambuco, o foco está em servidores e ex-servidores do instituto que podem ter ligação com o esquema de descontos indevidos realizados em benefícios de aposentados e pensionistas entre os anos de 2019 e 2024. ✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp A PF informou que foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e bloqueio de bens. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e atingem alvos em Pernambuco, Distrito Federal, São Paulo e Paraíba. As investigações apontam que os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões. De acordo com a PF, os descontos eram feitos diretamente nos benefícios do INSS sem autorização dos aposentados e pensionistas. Quem é Rogério Soares de Souza Rogério Soares de Souza é servidor de carreira do INSS e já ocupou cargos ligados à diretoria do instituto e à Superintendência Regional do Nordeste. Segundo as investigações, ele é citado como agente público facilitador no núcleo administrativo da organização criminosa investigada pela PF. Ainda de acordo com a investigação, Rogério teria ligação com a Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação (ABAPEN). A entidade teria recebido cerca de R$ 70,9 milhões em descontos ao longo de 2024. Desse total, ao menos R$ 24,7 milhões teriam sido enviados para empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, conforme apontam as apurações da Polícia Federal. Rogério possui graduação em História pela Universidade de Pernambuco (UPE) e em Direito pela Faculdade de Direito de Garanhuns. Também tem especializações em Direito na Administração Pública e Direito Civil e Processual Civil, além de MBA em Orçamento Público e graduação em Gestão Pública. Ele também atuou em comissões ligadas ao Direito da Seguridade Social na OAB Pernambuco e na subseção da OAB em Garanhuns. Quem é Everaldo Felício de Macedo Junior Everaldo Felício de Macedo Junior é natural de Garanhuns e ocupou diferentes cargos no INSS ao longo da carreira. Entre as funções exercidas, esteve à frente da Chefia de Logística e atuou como superintendente substituto da Região Nordeste. Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Garanhuns (FDG), da AESGA, Everaldo assumiu, em março de 2020, o cargo de gerente executivo do INSS em Garanhuns. A operação não detalha, até o momento, qual teria sido a participação dele no esquema investigado. LEIA TAMBÉM Nova fase de operação investiga fraudes em aposentadorias e pensões PF e CGU investigam 3 núcleos de operadores de descontos ilegais no INSS em nova fase de operação O que é a Operação Sem Desconto A Operação Sem Desconto investiga um esquema nacional de descontos irregulares aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a PF e a CGU, associações cadastravam beneficiários sem autorização e realizavam cobranças mensais diretamente nos pagamentos feitos pelo instituto. As investigações indicam que entidades envolvidas prometiam serviços como assistência jurídica, descontos em academias e planos de saúde, mas não tinham estrutura para prestar os atendimentos oferecidos. Ao todo, 11 entidades foram alvo de medidas judiciais. Os contratos dessas associações com aposentados e pensionistas foram suspensos. A operação também teve impacto político em Brasília. O caso levou à saída do então ministro da Previdência e do presidente do INSS. Além disso, o Congresso Nacional instalou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o esquema. O relatório final da CPMI, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas. O parecer, no entanto, foi rejeitado pelos parlamentares, e a comissão terminou sem aprovação de um documento final. O g1 procura contato com as defesas dos investigados. Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Rafa Neddermeyer/Agência Brasil