Em um ano, EUA bombardeiam sete países sob nova doutrina de segurança de Trump
Em um ano, EUA bombardeiam sete países sob nova doutrina de segurança de Trump TV Globo A política externa americana, nas palavras de JD Vance: “tem um nov...
Em um ano, EUA bombardeiam sete países sob nova doutrina de segurança de Trump TV Globo A política externa americana, nas palavras de JD Vance: “tem um novo xerife na cidade”, disse o vice-presidente dos Estados Unidos, se referindo a Donald Trump, na última Conferência de Segurança em Munique. As palavras simbólicas, em pleno solo europeu, indicavam uma guinada do governo americano. “A partir do momento que o Trump sobe ao poder, ele começa a ver que as políticas europeias não se coadunam com aquilo que ele quer para o mundo. Ele não acredita mais nas organizações internacionais e tende a levar justamente ao pensamento dos anos 80, da década de 80, de que os Estados Unidos têm que ter o controle da paz e da segurança mundial”, disse a doutora em Direito Internacional Priscila Caneparo. No mês passado, os Estados Unidos anunciaram uma nova estratégia de segurança. Segundo a Casa Branca, seria uma “correção de rumos”, em que a política externa teria como foco a América Latina e a Ásia. A nova doutrina estabeleceu uma predisposição ao não intervencionismo. Mas destacou que a demonstração de força militar pode ser necessária para se alcançar a paz. Nos últimos doze meses — período que marcou o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump — os Estados Unidos executaram bombardeios em pelo menos sete países: Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália. No Irã, em junho, atingiu três instalações nucleares, numa missão sofisticada, envolvendo a Marinha e a Força Aérea americana. O objetivo era conter o desenvolvimento iraniano de armas de destruição em massa. Os Estados Unidos também lançaram uma ofensiva contra os rebeldes Houthis, no Iêmen. Era uma resposta aos ataques do grupo extremista, que bombardeava embarcações comerciais no Mar Vermelho. A missão, segundo Trump, era proteger o fluxo de comércio global. Os americanos também bombardearam regiões na Síria e na Nigéria. Os alvos eram instalações ligadas ao Estado Islâmico — uma organização terrorista fundada no Oriente Médio que tem se alastrado pelo continente africano. “Os objetivos principais das intervenções que o Trump faz não são a manutenção de uma guerra, e não é fazer com que os Estados Unidos se envolvam diretamente no conflito, mas sim pontuar em alguns centros estratégicos, que ali vai ser um centro de influência dos Estados Unidos ou de grandes aliados”, disse Caneparo. A política externa de Donald Trump — marcada por medidas unilaterais — é vista com muita cautela por líderes da Europa. Apoio declarado eles não dão, mas também não batem de frente com o presidente americano, que é um parceiro imprescindível nas negociações globais, inclusive naquelas que podem salvar a economia da Europa. Nas tratativas do cessar-fogo em Gaza, por exemplo, assessores próximos a Trump tiveram papel fundamental. E o avanço das negociações sobre o fim da guerra da Ucrânia também envolve pressão e mediação dos Estados Unidos. O conflito iniciado pelos russos, há quatro anos, trouxe de volta o fantasma de uma guerra continental capaz de redesenhar fronteiras pela força — algo que a Europa considerava estar enterrado desde o fim da Segunda Guerra. Donald Trump, que acusou repetidamente os antecessores de arrastarem os Estados Unidos para a guerra, cria agora sua própria estratégia intervencionista. Uma estratégia que, pautado pelo novo plano americano de segurança, que vê a paz como oportunidade de mercado e de negócios.