Empresária teria doado imóvel de R$ 50 milhões com quase 100 cômodos a mulher que diz ser sua companheira; FOTOS

Documentário sobre a disputa de poder nas Casas Pernambucanas traz muitas novidades do caso Uma mansão de R$ 50 milhões na região central de São Paulo é p...

Empresária teria doado imóvel de R$ 50 milhões com quase 100 cômodos a mulher que diz ser sua companheira; FOTOS
Empresária teria doado imóvel de R$ 50 milhões com quase 100 cômodos a mulher que diz ser sua companheira; FOTOS (Foto: Reprodução)

Documentário sobre a disputa de poder nas Casas Pernambucanas traz muitas novidades do caso Uma mansão de R$ 50 milhões na região central de São Paulo é parte de uma batalha judicial sem precedentes. O imóvel que hoje pertence a Sônia Soares, conhecida como Suzuki, foi doado a ela pela empresária Anita Harley, herdeira de um império do varejo brasileiro, as Casas Pernambucanas. LEIA MAIS: Entenda a disputa bilionária pela herança de Anita Harley, das Casas Pernambucanas Dona de uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões, Anita está em coma há quase 10 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) em novembro de 2016. Atualmente, Anita está em um leito de UTI recebendo cuidados intensivos, mas não responde mais, nem toma decisões. A fortuna dela agora é alvo de uma disputa judicial entre pessoas ligadas à empresária, que não tinha filhos ou herdeiros diretos. A batalha, que envolve o controle das Pernambucanas e a vida pessoal da empresária, é o foco da série documental "O Testamento - O Segredo de Anita Harley", que estreou na segunda-feira (23) no Globoplay. Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas. Duas mulheres lutam na Justiça pela herança Reprodução/TV Globo A mansão de R$ 50 milhões Anita e Suzuki moravam em uma mansão de 96 cômodos na Aclimação, na região central de São Paulo (SP). O imóvel, avaliado em cerca de R$ 50 milhões, foi doado a Suzuki pela empresária. Suzuki afirma que morou junto com Anita por 36 anos, até a data em que a empresária sofreu o AVC. Parte da residência, como a fachada do lugar, é exibida no documentário do Globoplay. Nas imagens exibidas na produção é possível observar a grandiosidade do imóvel. "Nós construímos uma casa de 96 cômodos, 37 banheiros e cinco cozinhas...", diz Suzuki em trecho do documentário. Anita e Sônia moravam nesta mansão em São Paulo. Sônia ainda mora na residência Reprodução Imóvel está localizado no bairro Aclimação, na região central de São Paulo Reprodução Um ano após a internação de Anita, Suzuki entrou com uma ação alegando que as duas viviam em união estável havia mais de três décadas. A Justiça deu decisão favorável a Suzuki, reconhecendo a relação do casal. "Eu estou aqui porque eu preciso da minha história e não da história que contam", afirmou Sônia no documentário. Propriedade tem quase 100 cômodos Reprodução/TV Globo Reprodução No entanto, a relação é contestada por Cristine Rodrigues, que trabalhou com Anita e também reivindica na Justiça ser a verdadeira companheira da empresária. "Ela é minha companheira de vida", declarou Cristine. Sobre a alegação de Sônia, Cristine rebateu: "Olha. Não preciso nem enxergar. Ninguém pode estar em dois lugares. Será que não dá pra entender? Não vale a pena." Outro personagem chave é Artur Miceli, filho biológico de Sônia. A Justiça decidiu que ele deve ser considerado filho socioafetivo de Anita Harley e, portanto, seu herdeiro. Artur afirma que a disputa o forçou a provar sua própria existência e seus laços familiares: "Eu acho que a única forma que eu tenho de tirar essa narrativa da mão dos outros é que eu possa contar a minha história. É muito ruim você ter que provar que você existe. E que eu tive uma família, e que eu fui amado, e que eu tive estrutura e tal, é muito chato. Porque parece que eu só vim, que eu sou um produto criado pra ir atrás de uma herança." Artur, filho biológico de Sônia, também está no processo pela herança Reprodução/TV Globo Cristine Rodrigues contesta essa visão, afirmando que Anita era apenas generosa e pagava estudos e bens para muitos funcionários, mas nunca tratou Artur como filho. "Anita tratava ele bem, como você trata uma criança que mora na sua casa. O fato de você tratar bem uma criança, de você pagar os estudos dessa criança... é normal. Não é só dele que ela pagava. Faculdade, colégio. Pagava convênio de muita gente. Já deu casas pra funcionários, carros. Ela era uma pessoa muito, muito generosa. O fato de tratar bem, gostar do menino, não quer dizer que seja filho. Ela nunca se referiu a ele como filho. Se ele disser isso, ele está mentindo" Linguagem de ficção para uma história real Para contar essa trama de "amores escondidos" e "reviravoltas judiciais", a direção do documentário optou por uma estética diferenciada, reconstruindo os cenários em estúdio. "A gente optou pela ideia de reconstruir os cenários todos num estúdio e escancara isso. A gente não finge que aquele cenário é a casa. A gente mostra o estúdio. Tinha essa intenção de transformar aquela narrativa numa narrativa com mais cara de ficção mesmo", explica Monica Almeida, diretora de gênero da Globo. Investigação e complexidade A série documental é resultado de cinco anos de investigação jornalística. A diretora de gênero de documentários, Monica Almeida, explicou que a produção optou por reconstruir cenários em estúdio para dar uma narrativa próxima à ficção a esse drama real. Para a diretora Camila Appel, a série reflete sobre a vulnerabilidade daqueles que perdem a voz: "É uma série que fala sobre o que pode acontecer com aqueles que não podem falar por si mesmos. Isso gera uma identificação de todo mundo, de pensar: puxa, e se acontecesse comigo?". "Eu até estava em busca de uma verdade. Mas no meio do caminho eu percebi que eu não ia conseguir alcançá-la. E eu acho que abrir mão dessa busca me fez muito bem no processo de investigação e no resultado da série. Porque aí eu foquei em trazer a complexidade dessa história, trazer todas as vozes, que são muitas, e elas realmente brigam entre si. E me desprender da ideia de que pode ter uma única verdade. Talvez todo mundo ali enxergue a sua verdade." O desfecho da investigação promete uma revelação surpreendente que pode mudar novamente os rumos da história. Enquanto isso, o futuro das Casas Pernambucanas permanece incerto em meio ao que envolvidos descrevem como uma briga por "dinheiro, poder e influência". Ouça os podcasts do Fantástico O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.