Feminicídio cresce 6% em Goiás em 2025
Casos de feminicídio em Goiás aumentaram 6% em 2025, passando de 56 para 59 registros; na comparação com 2018, alta chega a quase 64% Divulgação/Senado Fe...
Casos de feminicídio em Goiás aumentaram 6% em 2025, passando de 56 para 59 registros; na comparação com 2018, alta chega a quase 64% Divulgação/Senado Federal Mesmo com a queda da maioria dos indicadores de criminalidade em Goiás, o feminicídio segue em sentido oposto. Em 2025, o número de casos passou de 56 para 59, o que representa um aumento de 6%. Na comparação com 2018, quando foram registrados 36 crimes, a alta chega a quase 64%. Os dados foram analisados pela advogada e especialista em segurança pública Bartira Miranda, em entrevista concedida à CBN Goiânia. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Feminicídio não responde às políticas tradicionais de segurança Segundo Bartira, os números evidenciam limites claros das políticas tradicionais de segurança pública, que têm foco em crimes como roubos e homicídios, mas não conseguem conter a violência contra mulheres. “Os dados mostram que o feminicídio tem características próprias e não responde às mesmas estratégias usadas para reduzir roubos e homicídios”, afirmou. Ela explicou que cada tipo de criminalidade exige uma atuação estatal específica. “Não é o mesmo tipo de ação que funciona para furto e roubo na cidade que vai funcionar para investigar crimes na área rural. Cada tipo de criminalidade exige uma resposta diferente”, disse. LEIA TAMBÉM: Marido mata a mulher e se mata em seguida dentro de casa, em Goiás Namorado confessa que matou mulher a facadas em Goiânia: ‘Quando eu vi, já tinha acontecido’ Técnica em enfermagem é morta pelo ex com tiros à queima roupa em distribuidora de bebidas, em Goiás Violência ocorre, em maioria, dentro de casa Durante a entrevista, Bartira destacou que, nos casos de feminicídio e crimes sexuais, o ambiente doméstico continua sendo o mais perigoso para mulheres e meninas, cenário que ficou ainda mais evidente durante a pandemia. “O lugar mais perigoso para mulheres e meninas é dentro de casa. Em muitos casos, os agressores são parentes próximos, pessoas que, em tese, teriam o dever de proteger”, afirmou. Dados nacionais indicam que cerca de 94% dos crimes sexuais são cometidos por companheiros, ex-companheiros ou familiares. Falta de transparência e de prioridade no enfrentamento Até o dia 30 de novembro de 2025, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou mais de 600 processos relacionados a feminicídio inseridos no sistema. Para Bartira, a diferença entre esse número e os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública pode ser explicada pela metodologia utilizada. “Os dados da Secretaria de Segurança Pública se baseiam em boletins de ocorrência. Já os números do CNJ se referem a processos judiciais. São bases diferentes”, explicou. A especialista avalia que a baixa visibilidade dos dados de feminicídio nos balanços oficiais é preocupante e pode indicar falta de prioridade no enfrentamento do crime. Segundo ela, a segurança pública no Brasil ainda é tratada como política de governo, e não como política de Estado. “Enquanto a violência contra mulheres não for tratada como prioridade absoluta, o feminicídio vai continuar crescendo, mesmo com a redução geral da criminalidade”, concluiu. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás