Furto em laboratório da Unicamp: Justiça concede liberdade a professora e diz que amostras levadas são de vírus

Furto em laboratório da Unicamp: Justiça concede liberdade a professora A Justiça Federal concedeu, na tarde desta terça-feira (24), liberdade provisória ...

Furto em laboratório da Unicamp: Justiça concede liberdade a professora e diz que amostras levadas são de vírus
Furto em laboratório da Unicamp: Justiça concede liberdade a professora e diz que amostras levadas são de vírus (Foto: Reprodução)

Furto em laboratório da Unicamp: Justiça concede liberdade a professora A Justiça Federal concedeu, na tarde desta terça-feira (24), liberdade provisória à professora doutora Soledad Palameta Miller, presa em flagrante suspeita de furtar material biológico de um laboratório na Unicamp. Na decisão judicial, o tipo das amostras - até então mantido em sigilo pelos órgãos públicos - é tratado como vírus. A pesquisadora chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), nesta segunda-feira (23), após cumprimento de mandados da Polícia Federal na Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde ela atuava. As amostras de vírus, que pertenciam ao Instituto de Biologia e estavam desaparecidas desde fevereiro, foram recuperadas pela PF em laboratórios usados pela professora. A Defesa de Soledad afirma que não há materialidade na acusação e que ela utilizava o laboratório do Instituto de Biologia, de onde as amostras foram retiradas, por não possuir estrutura própria. A Unicamp informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. Cronologia dos fatos: 13 de fevereiro: amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp 23 de março: após investigação, PF encontra material em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad atuava 23 de março: os laboratórios ficam interditados para cumprimento de mandados e a pesquisadora é presa 24 de março: Justiça concede liberdade e menciona em decisão que trata-se de vírus LEIA TAMBÉM Anvisa, PF e Ministério da Agricultura mantêm sigilo sobre material furtado de laboratório de virologia da Unicamp Unicamp aciona Polícia Federal e interdita laboratórios após furto de material de pesquisa Após interdição de laboratórios, PF prende mulher suspeita de furtar material biológico da Unicamp Unicamp interdita laboratórios após furto de material de pesquisa, e Polícia Federal é acionada Junia Vasconcelos/EPTV Termo de Audiência O Termo de Audiência de Miller, ao qual o g1 teve acesso, afirma que o material encontrado trata-se de amostras de vírus que teriam sido furtadas do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Unicamp. Após serem recuperadas, as amostras foram levadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise, segundo a PF. Miller tem 36 anos, é natural da Argentina e vai responder criminalmente por expor a perigo a vida e saúde de outras pessoas, por transporte irregular de organismo geneticamente modificado e por fraude processual, de acordo com a Justiça Federal. O advogado de defesa da pesquisadora, Pedro de Mattos Russo, afirmou que não há materialidade de furto e que Miller utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Soledad Palameta Miller, professora doutora da Unicamp, foi presa por suspeita de furtar material biológico de laboratório de virologia da universidade. Arquivo pessoal Biossegurança do laboratório ➡️ O laboratório onde ocorreu o furto possui centros que operam com níveis 2 e 3 de biossegurança (NB-2 e NB-3). Isso significa que ele é certificado para manipulação de materiais das seguintes classes de risco: Classe de risco 2 (moderado risco para o indivíduo e baixo para a comunidade): segundo o Ministério da Saúde, inclui agentes que podem causar infecções em humanos ou animais, mas se espalham pouco e têm tratamentos e prevenções eficazes. Exemplos: Schistosoma mansoni e vírus da rubéola. Classe de risco 3 (alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade): são agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV). Instituto de Biologia da Unicamp Reprodução/EPTV Quem é a pesquisadora Segundo o portal do Docente e Pesquisador da Unicamp, Miller coordena, atualmente, o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos em linhas de pesquisa orientadas a vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas aos vírus transmitidos por alimentos e água. ➡ A pesquisadora atuou como analista no Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais dirigidos para terapia de câncer. Realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp em projetos relacionados ao desenvolvimento de vacinas vetorizadas, protótipos de testes rápidos para diagnóstico de doenças aviárias e estabelecimento de modelos alternativos para diagnóstico e produção de vacinas veterinárias. Presa por furto de material do laboratório de virologia é professora doutora da Unicamp Entenda o caso O caso teve início após a constatação do desaparecimento de caixas com material viral do Laboratório de Virologia Animal, no dia 13 de fevereiro deste ano. Segundo o documento da Justiça Federal, as investigações apontaram que a docente, que não possuía acesso próprio ao local, contou com a ajuda de terceiros para ingressar nos espaços e retirar os materiais. Durante as diligências na universidade, os agentes da PF encontraram as amostras de vírus espalhadas em freezers de laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e identificaram frascos parcialmente descartados em lixeiras. De acordo com a decisão, a manipulação, armazenamento e o descarte indevido do material biológico em ambientes não controlados expôs a saúde de terceiros a perigo direto e iminente, devido aos riscos de se manusear amostras virais fora dos protocolos rigorosos de biossegurança. Embora a Polícia Federal tenha pedido a conversão do flagrante em prisão preventiva alegando a insuficiência de outras medidas, a juíza Valdirene Ribeiro de Souza Falcão acompanhou o parecer do Ministério Público Federal (MPF), que se manifestou pela concessão da liberdade provisória com imposição de cautelares. Em sua decisão, a magistrada ressaltou que, apesar da clareza sobre a materialidade e dos fortes indícios de autoria, as condições pessoais da investigada são favoráveis. Soledad Palameta Miller é ré primária, não cometeu crimes com violência ou grave ameaça, atua como professora com renda mensal de R$ 16 mil, possui residência fixa em Campinas e é mãe de duas crianças, de 2 e 5 anos de idade. Com a expedição do alvará de soltura, a professora responderá ao processo em liberdade, mas precisará cumprir regras determinadas pela Justiça: A docente fica obrigada a comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal, pagar uma fiança no valor de dois salários-mínimos, e está proibida de deixar a cidade de Campinas por mais de cinco dias e de sair do país sem autorização prévia Além disso, foi determinado que ela está proibida de acessar os laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação Níveis de biossegurança Interdição de laboratórios Unicamp interdita laboratórios após furto de material de pesquisa, e Polícia Federal é acionada Junia Vasconcelos/EPTV Todos os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) foram interditados temporariamente por conta do crime na manhã de segunda-feira (23). De acordo com a PF, dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos para localizar o material biológico furtado, que estava dentro da própria Unicamp. A desinterdição dos laboratórios ocorreu no início da tarde de segunda-feira. Segundo a PF, a própria universidade comunicou o desaparecimento das amostras, o que levou à abertura do inquérito policial. A reitoria da Unicamp afirmou, também na segunda-feira, que o furto ocorreu nas dependências do Instituto de Biologia, com possíveis consequências para as atividades da FEA. "Em razão da gravidade do fato e da natureza do patrimônio científico envolvido, a Instituição acionou prontamente a Polícia Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a condução das investigações e procedimentos periciais necessários", informou. As aulas na graduação e nos laboratórios de ensino foram mantidas. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas