Grávida que morreu após buscar atendimento no hospital 4 vezes teve dengue grave, aponta prontuário
Polícia investiga morte de jovem grávida que buscou atendimento em hospital 4 vezes em SC A jovem grávida que morreu e perdeu a bebê após procurar atendime...
Polícia investiga morte de jovem grávida que buscou atendimento em hospital 4 vezes em SC A jovem grávida que morreu e perdeu a bebê após procurar atendimento no hospital quatro vezes teve dengue grave. A informação consta em prontuário médico, informou o delegado Ícaro Malveira, responsável pela investigação. Maria Luiza Bogo Lopes tinha 18 anos e estava grávida de sete meses. Ela buscou atendimento por quatro vezes no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Maria e a bebê morreram na quinta-feira (2). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O Hospital Beatriz Ramos disse por nota que "o caso está sendo submetido a investigação técnica rigorosa" e que "lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade à família" (leia a íntegra da nota no fim do texto). O delegado esclareceu que o prontuário onde constava a informação sobre a dengue não era do Hospital Beatriz Ramos, mas, sim, do Hospital Santo Antônio, em Blumenau, cidade vizinha. Maria foi levada a essa unidade após ser transferida de Indaial (entenda a cronologia abaixo). Inclusive, o termo que constava no prontuário era "dengue hemorrágica". Desde 2014, o Ministério da Saúde usa "dengue grave". A alteração no termo ocorreu porque a hemorragia não é o principal sintoma da forma mais severa da doença. Em muitos casos, ela não se manifesta. "Encaminhamos os prontuários à Polícia Científica, com a finalidade de ser elaborado laudo pericial", disse o delegado. Essa análise deve ficar pronta até o fim da próxima semana. Além disso, o delegado ainda disse que a dengue grave pode alterar o resultado da causa da morte da grávida e bebê e na análise sobre os atendimentos feitos pelo hospital. Polícia investiga se houve negligência Entre os quesitos pedidos pela Polícia Civil à Polícia Científica está uma verificação se houve algum tipo de imprudência ou negligência por parte da equipe médica com a jovem. Os profissionais que atenderam a grávida serão intimados a depor. Maria e a bebê foram enterradas na sexta (3). O corpo da jovem foi sepultado sem ser levado ao IML. O delegado disse à NSC TV que foi informado pelo Hospital Santo Antônio sobre isso. E a justificativa para o não acionamento do IML seria o fato de não haver indícios de morte violenta. Se os laudos, que ainda devem ficar prontos, não forem conclusivos, a polícia não descarta uma possível exumação do corpo da jovem. Maria Luiza Bogo Lopes tinha 18 anos e estava grávida Reprodução/Redes sociais Grávida era mandada de volta para casa Em março, durante o pré-natal que fazia no posto de saúde do bairro Tapajós, Maria foi diagnosticada com diabetes gestacional. Ela foi encaminhada a uma nutricionista. A consulta seria em 30 de março. Mas Maria não conseguiu ir por causa de um mal-estar. "Ela sentia muita dor no corpo, dor de cabeça, dor nos olhos. Ela estava com muita dor nas costas. Depois, ela começou a apresentar febre", disse Luana. Foi nessa data que Maria procurou o Hospital Beatriz Ramos pela primeira das quatro vezes. 📅30 de março - Segundo a família, Maria passou por exames que não detectaram problema algum e ela foi liberada 📅31 de março - No dia seguinte, a jovem voltou pela segunda vez. Novos exames apontam uma diminuição nas plaquetas. Segundo a família, a equipe médica até suspeitou de dengue, mas voltou a liberá-la 📅1º de abril - Ainda mais fraca, Maria procurou o mesmo pronto-atendimento por mais duas vezes, de manhã e à noite. E foi dispensada de novo, após ser medicada. 📅2 de abril - Na manhã do dia 2, a família decide recorrer ao posto de saúde que fazia o pré-natal de Maria. A paciente recebeu soro e foi levada novamente ao Hospital Beatriz Ramos. Maria foi atendida em caráter de urgência e, em menos de uma hora, a família foi informada de que ela estava com um quadro grave de infecção generalizada A paciente foi transferida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, cidade vizinha a Indaial. A família contou que foi feita uma cesariana de emergência, mas a bebê não sobreviveu. Maria morreu pouco tempo depois. Leia também: Família de grávida que morreu busca respostas: 'Era a luz da minha vida' Novo morador encontra caixão com ossada humana enterrado em quintal de casa Conheça o pequeno mosquito que fez moradores em SC se 'trancarem' em casa O que dizem os hospitais Confira abaixo a nota completa do Hospital Beatriz Ramos. A Associação Beneficente Hospital Beatriz Ramos informa que, desde a ocorrência envolvendo a paciente Maria Luiza Bogo Lopes, iniciou imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos. O caso está sendo submetido a investigação técnica rigorosa, conduzida em conformidade com os protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde, respeitando todos os fluxos institucionais aplicáveis. A apuração ocorre no âmbito da Comissão Técnica Hospitalar, com análise criteriosa e detalhada, incluindo a revisão minuciosa de todo o processo assistencial desde o primeiro atendimento prestado à paciente. O Hospital Beatriz Ramos lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade à família neste momento de dor. A instituição reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade, assegurando que a apuração será conduzida com a máxima seriedade. Confira a nota do Hospital Santo Antônio: A paciente foi encaminhada ao Hospital Santo Antônio (HSA) em estado gravíssimo, já entubada, sendo transportada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Ao dar entrada na unidade, foi prontamente atendida pelas equipes do Pronto-Socorro, da Obstetrícia, da Pediatria e da Neonatologia. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias