'Hora de mudar': conheça histórias de quem trocou de carreira e descobriu novos sentidos para a vida profissional

Será que é hora de mudar? - 01.05.2026 É hora de mudar ou de parar? A pergunta, que ecoa entre trabalhadores de diferentes áreas e fases da vida, é o tema ...

'Hora de mudar': conheça histórias de quem trocou de carreira e descobriu novos sentidos para a vida profissional
'Hora de mudar': conheça histórias de quem trocou de carreira e descobriu novos sentidos para a vida profissional (Foto: Reprodução)

Será que é hora de mudar? - 01.05.2026 É hora de mudar ou de parar? A pergunta, que ecoa entre trabalhadores de diferentes áreas e fases da vida, é o tema da primeira reportagem apresentada por William Bonner no Globo Repórter, exibido nesta sexta‑feira (1º). “Em qualquer tipo de trabalho, por mais que a pessoa goste do que faz, quando aquela atividade deixa de proporcionar o mesmo prazer de antes, é normal surgirem questionamentos. Será que é a hora de parar? Será que é hora de mudar? A dúvida traz insegurança, traz ansiedade. E tudo começa a ficar meio confuso… Você certamente conhece alguém que está passando por isso ou que já passou. Talvez essa pessoa seja você mesmo", diz Bonner. Para explorar o assunto, o jornalista conversou com brasileiros que passaram por mudanças na carreira e ouviu especialistas, que deram orientações para uma transição mais segura. Veja a íntegra do programa no vídeo acima. ‘Hora de mudar’: Globo Repórter mostra histórias de quem trocou de carreira e descoriu novos sentidos para a vida profissional Reprodução/TV Globo Repensando o trabalho Questionar o próprio trabalho, pensar em mudar de rumo ou buscar um novo significado para a profissão deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Uma pesquisa recente constatou que 61% das pessoas pretendiam procurar um novo emprego em 2026. Segundo a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, essa inquietação tem explicação no funcionamento do cérebro. "O que o cérebro da gente gosta é de fazer as coisas, e notar que fez direito [...] É esperado que o prazer diminua conforme a gente simplesmente repete uma mesma reação", explica. "Ter uma oportunidade de fazer uma coisa diferente é abrir uma porta para um mundo completamente novo, onde o seu cérebro tenha a oportunidade de experimentar novas ações", completa. Da biologia para a confeitaria ‘De bióloga a confeiteira’: cientista e professora redescobre o prazer de trabalhar fazendo doces Reprodução/TV Globo Foi esse movimento que transformou a vida de Diva de Oliveira, bióloga formada, pesquisadora e professora durante quase 20 anos. Apesar da carreira consolidada, ela já não se sentia realizada. “Eu não tinha mais o prazer que tinha no início”, conta. Incentivos negativos não faltaram. “Todo mundo dizia que era loucura largar”, lembra. A virada veio com a confeitaria — uma paixão antiga, herdada da infância e das lições da mãe, dona Jandira, cozinheira por toda a vida. Diva estudou, se profissionalizou e abriu um ateliê. Hoje, encontra na cozinha a paz que não sentia antes. “Aqui eu tenho felicidade”, resume. Mais do que mudar de área, ela reencontrou suas origens e ampliou seu impacto. Além de confeiteira, Diva dá aulas de empreendedorismo para mulheres negras, pardas e indígenas, incentivando a profissionalização e a autonomia financeira. “A vida é curta demais para ficar em algo que não te faz feliz, mas a mudança precisa ser feita com consciência”, aconselha. Sabonetes, perfume e identidade Após 22 anos em banco, mulher pede demissão na pandemia, vira saboeira artesanal de sucesso e viraliza na internet Reprodução/TV Globo A pandemia também foi um divisor de águas para Daniela Loss, que deixou um emprego estável de 22 anos no setor bancário. “Eu não era mais a Daniela, eu era a Daniela do banco”, conta. O desejo de uma vida mais tranquila veio acompanhado de depressão e dúvidas — até que uma pequena loja perfumada em uma viagem despertou algo novo. Daniela voltou a Petrópolis e aprendeu a fazer sabonetes artesanais. O primeiro ficou “muito feio”, brinca. Mas insistiu. Hoje, vende em feiras, na internet e acumula milhões de visualizações nas redes sociais. “O artesanato me provou que eu sou capaz”, diz. Para ela, persistir foi tão importante quanto acreditar. Trabalhar menos meses, viver mais tempo Um taxista que consegue passar meses do ano sabáticos Reprodução/TV Globo Nem toda mudança envolve trocar de profissão. Às vezes, é a forma de trabalhar que se transforma. Galdino, taxista no Rio de Janeiro, encontrou seu equilíbrio ao dividir o ano entre a cidade grande e a Paraíba, onde reencontra a família e as raízes. Trabalha cerca de oito meses por ano e passa até quatro meses na sombra e na água fresca. "Dessa forma eu consigo ter uma vida boa, do meu jeito, mas boa", diz. Hoje, se orgulha da trajetória construída com disciplina e economia. “Não precisa ter muito dinheiro. Um pouco, bem administrado, dá certo”, ensina. Aposentadoria não é sinônimo de parar ‘Eu trabalho para viver’: aposentado vence a depressão fazendo cursos em diferentes áreas Reprodução/TV Globo Se para muitos mudar é escolha, para outros é necessidade. É o caso de Pedro Rodrigues Santos, pastor, taxista e ex-cobrador, que enfrentou uma tristeza profunda ao se aposentar. O reencontro com o propósito veio por meio do aprendizado. Incentivado pela esposa, Pedro fez cursos gratuitos — de elétrica a energias renováveis, passando por edição de vídeo. “Eu não vivo para trabalhar. Eu trabalho para viver. E viver bem”, afirma. Experiência como valor Engenheiro se aposenta, mas segue ativo e encontra realização no trabalho voluntário Reprodução/TV Globo O educador canadense Riley Moynes define quatro fases da aposentadoria: férias, vazio, experimentação e reencontro. É nessa última etapa que muitos descobrem novas formas de trabalhar, ensinar ou ajudar. Depois de se aposentar formalmente, o engenheiro Dario Gramorelli decidiu continuar ativo como voluntário e profissional. Atua em projetos sociais no sertão nordestino e participa de iniciativas para enfrentar o chamado “apagão de competências” na engenharia brasileira. “Temos muitos engenheiros experientes sendo deixados de lado pelo etarismo”, alerta. Para ele, dividir conhecimento é uma forma de transformação dupla: de quem recebe e de quem compartilha. “Meu maior patrimônio hoje é o tempo.” “Temos muitos engenheiros experientes sendo deixados de lado pelo etarismo” Reprodução/TV Globo Mudar de forma consciente Em comum, todas as histórias trazem o mesmo recado: mudar de carreira é um processo, não um salto no escuro. Com planejamento, estudo, formalização e persistência, buscar novos rumos pode deixar de ser um desejo distante e se transformar em uma virada possível — e, para muitos, necessária. “Eu acho que a vida é curta demais para ficar em algo que você não está feliz. Mas tem que fazer com consciência”, resume a confeiteira Diva. Confira as últimas reportagens do Globo Repórter: