Hytalo Santos: audiência sobre denúncia de trabalho análogo à escravidão tem data marcada

Hytalo Santos e seu marido durante depoimento à Justiça da Paraíba. Reprodução/TV Globo/Fantástico Foi marcada para o dia 20 de março uma audiência na J...

Hytalo Santos: audiência sobre denúncia de trabalho análogo à escravidão tem data marcada
Hytalo Santos: audiência sobre denúncia de trabalho análogo à escravidão tem data marcada (Foto: Reprodução)

Hytalo Santos e seu marido durante depoimento à Justiça da Paraíba. Reprodução/TV Globo/Fantástico Foi marcada para o dia 20 de março uma audiência na Justiça do Trabalho, em João Pessoa, relativa ao caso do influenciador Hytalo Santos e do marido dele, Israel Vicente. Eles são réus por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão, após ação do Ministério Público do Trabalho (MPT). A denúncia faz parte de outra investigação contra o influenciador, diferente da esfera criminal, cuja decisão foi publicada no domingo (22), na qual Hytalo Santos foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão, enquanto Israel recebeu pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias, ambas em regime inicialmente fechado. Hytalo Santos: influenciador e marido são condenados por exploração sexual de adolescentes A informação sobre a data da audiência foi confirmada ao g1 pelo MPT que, em nota, afirmou que “o caso tramita em segredo de justiça por envolver situações de violência contra crianças e adolescentes e também para evitar a revitimização”. O g1 entrou em contato com a defesa dos influenciadores, mas não obteve resposta até as 14h52 desta segunda-feira (23). Quando Hytalo Santos e Israel Vicente se tornaram réus, em dezembro de 2025, a defesa informou que o MPT não tem "legitimidade para promover tal ação civil, age com base em informações e fatos desconectados da realidade, uma vez que a redução análoga à escravidão somente pode ser demonstrada quando existem condições degradantes nas quais as vítimas estariam inseridas, e isso nunca foi demonstrado". Segundo o MPT, há indícios de que Hytalo Santos adotava práticas irregulares com os menores, principalmente ao levá-los para morar em sua residência e submetê-los a condições de trabalho. O órgão aponta as seguintes condutas: Isolamento do convívio familiar; Confisco de meios de comunicação com o mundo externo; Ausência de convívio social mais amplo; Cerceamento da liberdade de ir e vir; Rígido controle sobre sua rotina; Agenda exaustiva de gravações, inclusive com privação de sono; Ausência de remuneração; Supressão da autonomia individual; Ausência de autonomia financeira; Coação psicológica (ameaça permanente de descarte); e Ingerências sobre a definição de sua identidade de gênero e sua orientação sexual. Hytalo Santos diz que pagou silicone nos seios a influencer de 16 anos O MPT relata ainda que as adolescentes foram expostas de forma sexualizada nas redes sociais, participando de festas e frequentando locais incompatíveis com a idade, além da monetização das suas imagens. O órgão também aponta a realização de procedimentos estéticos voltados a potencializar o apelo sexual. LEIA TAMBÉM: 'Entenda por quais crimes Hytalo Santos e o marido foram condenados na Paraíba Não vou estar livre nunca mais do que fizeram com a minha imagem', diz Hytalo Santos em depoimento Sobre a hipótese de que houve consentimento de alguns menores de idade na produção dos vídeos de Hytalo Santos, assim como consentimento dos pais de alguns menores, o MPT apontou isso como sendo "irrelevante", pois os adolescentes não têm condições de reconhecer a violência sofrida e os pais estavam sujeitos aos benefícios do influenciador. A pedido do MPT, a Justiça do Trabalho expediu ofícios para diversos órgãos de garantia do bem-estar de crianças e adolescentes para imediato fornecimento de assistência psicológica, médica e social. Desde agosto, a Justiça do Trabalho da Paraíba determinou o bloqueio de veículos, empresas, bens e valores que podem alcançar até R$ 20 milhões pertencentes ao influenciador Hytalo Santos e ao marido, Israel Vicente. Medidas cobradas pelo MPT O Ministério Público do Trabalho solicitou à Justiça o pagamento de indenização e direitos morais coletivos, nas seguintes situações: O pagamento de indenização por dano moral coletivo, no montante de R$ 12 milhões; A reparação dos danos individualmente causados às crianças e adolescentes vítimas de exploração, mediante o pagamento de indenizações individuais que variam de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões. No caso das vítimas que ainda não atingiram a maioridade, o órgão solicitou que o montante da indenização individual seja depositado em caderneta de poupança especialmente aberta para esse fim, sendo que o dinheiro só pode ser movimentado após os menores fazerem 18 anos. MPT cita responsabilidade dos pais dos menores Segundo o MPT, pais e mães dos adolescentes também têm responsabilidade sobre as práticas atribuídas a Hytalo Santos e ao marido dele. De acordo com o órgão, ao aceitarem benefícios materiais, como presentes e auxílio financeiro mensal, os responsáveis “entregaram seus filhos a terceiros de maneira claramente ilegal”. O Ministério Público também destacou que os pais: Permitiram que seus filhos passassem a residir a centenas de quilômetros de sua cidade natal, rompendo radicalmente os laços de convivência familiar e social dos adolescentes; Submeteram-se, passivamente, ao regime de isolamento familiar imposto por Hytalo Santos” e “Euro, alijando-se da missão de educar seus filhos"; Se afastaram da função de supervisionar a vida escolar e a saúde dos filhos; Permitem que seus filhos fossem submetidos a múltiplas formas de violência, incluindo exploração sexual e trabalho em condições análogas à de escravo. No entanto, o MPT optou por não imputar aos genitores responsabilidade de caráter patrimonial/pecuniário na esfera da Justiça, mas afirmou que as condutas podem ser responsabilizadas formalmente na esfera criminal. Apesar disso, foram requisitadas para a Justiça uma série de limitações para os pais imporem em relação aos menores de idade, como: Não permitir que menores de 18 anos participem de conteúdos digitais com conotação sexual; Não permitir que sejam submetidos à exploração sexual; Não permitir que sejam colocados em qualquer das piores formas de trabalho infantil. O texto do MPT também diz que, caso essas recomendações, se aceitas pela Justiça, sejam descumpridas, os pais possam pagar multa. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba