ICE enfrenta dificuldades com triagem de novos recrutas, revela e-mail interno obtido por agência

Governo Trump anuncia retirada de agentes do ICE de Minnesota O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) está com dificuldades para acompanhar o ritm...

ICE enfrenta dificuldades com triagem de novos recrutas, revela e-mail interno obtido por agência
ICE enfrenta dificuldades com triagem de novos recrutas, revela e-mail interno obtido por agência (Foto: Reprodução)

Governo Trump anuncia retirada de agentes do ICE de Minnesota O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) está com dificuldades para acompanhar o ritmo da triagem de seus novos contratados e está estabelecendo um processo para lidar com alegações de má conduta dos novos recrutas, segundo um e-mail interno obtido pela agência de notícias Reuters. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Contingente dobrado, menos tempo de treinamento e anúncios MAGA: como os agentes do ICE são recrutados pelo governo Trump? A mensagem, enviada a supervisores da divisão de Operações de Execução e Remoção do ICE na segunda-feira (23), diz que o “grande volume de novas contratações” e a demora nas verificações de antecedentes poderiam gerar incerteza para os escritórios de campo quando surgissem alegações relacionadas a ações anteriores à entrada no ICE, e que as alegações deveriam ser encaminhadas à Unidade Interna de Investigações de Integridade. "Caso um escritório de campo receba informações depreciativas sobre a conduta de um funcionário recém-contratado antes de ingressar na ERO (por exemplo, demissão ou pedido de demissão em vez de demissão de outra agência policial por má conduta), encaminhe o assunto à IIU", diz o comunicado. O Departamento de Segurança Interna dos EUA, que inclui o ICE, afirmou em janeiro que contratou 12 mil novos agentes para se somar aos 10 mil já existentes. O ritmo acelerado de recrutamento e contratações levantou questões sobre a seleção e a qualidade dos recrutas. Em carta enviada à Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, no ano passado, o senador americano Dick Durbin afirmou que o aumento no número de agentes do ICE “provavelmente resultaria em um aumento da má conduta dos agentes”. De acordo com um funcionário atual e um ex-funcionário do governo americano, ouvidos em condição de anonimato pela Reuters, alguns recrutas já em treinamento foram dispensados depois que tiveram seu passado criminal descoberto. Em um caso ocorrido no ano passado, dois recrutas teriam sido identificados como suspeitos de pertencerem à gangue MS-13, com base em suas tatuagens, enquanto frequentavam a academia de treinamento na Geórgia. Pelo menos outros cinco recrutas teriam sido demitidos quando o ICE descobriu que havia mandados de prisão em aberto contra eles. “Eles não estavam concluindo as verificações de antecedentes antes de os candidatos chegarem à academia”, disse o ex-funcionário. Segundo o funcionário do governo, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, pressionou fortemente, em teleconferências, para que o ICE atingisse metas ambiciosas de contratação antes do final do ano. A postura truculenta dos agentes do ICE durante operações vem fazendo diminuir o apoio público à política de imigração de Trump nos últimos meses. Episódios como a morte de dois cidadãos americanos em Minneapolis, em janeiro, e a prisão de pessoas sem antecedentes criminais, incluindo famílias e crianças, vem provocando protestos e confronto com moradores das cidades para onde as operações estão sendo mandadas. Departamento que comanda ICE é alvo de impasse no Congresso O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) entrou em uma paralisação parcial no dia 14, depois que os congressistas não chegaram a um acordo sobre mudanças nas regras de atuação de agentes de imigração. O impasse gira em torno de propostas da oposição para impor novas restrições em operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). Ambos atuam na fiscalização de imigrantes e na segurança das fronteiras. Parte dos funcionários considerados “não essenciais” será colocada em licença automaticamente. Mas as operações de deportação de imigrantes devem continuar, assim como a maior parte dos programas federais de segurança interna. Democratas, que fazem oposição ao governo de Donald Trump, querem que agentes federais de imigração sigam regras semelhantes às aplicadas a policiais locais nas operações. Isso traria limites mais claros para abordagens, prisões e operações. Entre as propostas está a exigência de que agentes retirem máscaras usadas durante ações de busca e prisão de imigrantes. O uso dessas máscaras gerou protestos após operações consideradas agressivas em cidades como Minneapolis. Já os republicanos, de Trump, afirmam que as mudanças colocariam os agentes em risco. O presidente criticou os democratas e disse que é preciso “proteger as forças de segurança”, incluindo o ICE. Questionado na sexta-feira (13) se participaria diretamente das negociações com congressistas, Trump disse que já estava conversando com os parlamentares. Mesmo sem a aprovação do orçamento para o DHS, as operações do ICE e da CBP não devem parar. Isso porque esses órgãos contam com uma fonte separada de recursos, superior a US$ 135 bilhões, aprovada em julho dentro de um pacote orçamentário proposto por Trump. Clima de tensão Agente do ICE durante operação em Mineápolis, em 18 de janeiro de 2026 REUTERS/Seth Herald Na quinta-feira (12), republicanos esperavam que o anúncio do fim de uma operação intensiva de deportações em Minneapolis ajudasse a destravar a votação. Não funcionou. Apenas um dos 47 senadores democratas votou a favor do projeto. Eram necessários pelo menos três. A senadora democrata Jeanne Shaheen afirmou à CNN que, mesmo com a retirada do ICE e da CBP de Minneapolis, não há garantias de que agentes não atuem em outras cidades ou façam buscas sem mandado judicial. “É isso que está deixando as pessoas revoltadas, e isso precisa ser corrigido”, disse. O shutdown começa meses depois de outra paralisação prolongada do governo federal, que durou 43 dias no ano passado, em meio a uma disputa sobre subsídios federais de saúde. VÍDEOS: mais assistidos do g1