Jovem de 17 anos que trabalhava na roça celebra 1ª semana no curso de medicina em universidade federal

Parentes e amigos fizeram carreata para comemorar aprovação de Fernando Abreu na UFT O estudante Fernando Abreu Miranda, de 17 anos, celebrou a primeira seman...

Jovem de 17 anos que trabalhava na roça celebra 1ª semana no curso de medicina em universidade federal
Jovem de 17 anos que trabalhava na roça celebra 1ª semana no curso de medicina em universidade federal (Foto: Reprodução)

Parentes e amigos fizeram carreata para comemorar aprovação de Fernando Abreu na UFT O estudante Fernando Abreu Miranda, de 17 anos, celebrou a primeira semana no curso de medicina na Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Palmas, após uma jornada marcada por desafios e muita dedicação. Antes da aprovação, ele dividia o tempo entre os estudos e o trabalho braçal no campo, ao lado do pai, roçando juquira para ajudar nas despesas de casa. “Foi legal, o pessoal é muito acolhedor. No começo, eu estava triste, mas foi melhorando. Foi difícil deixar a família para trás”, contou Fernando Abreu após iniciar o curso. O estudante é de Itaporã do Tocantins, a cerca de 250 quilômetros de Palmas. Com a aprovação no curso, ele precisou se mudar para a capital. Na última segunda-feira (23), o jovem pisou pela primeira vez em uma sala de aula no câmpus da UFT. Ao g1, ele contou que foi difícil deixar a família e os amigos para trás para seguir o sonho. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp “Está sendo um pouco difícil deixar tudo para trás, morar em uma cidade grande e deixar a família e os amigos, toda essa vida que foi construída. Mas está dando certo, pois tenho família por lá [em Palmas], que está dando apoio e posso ficar o tempo que for preciso”, contou. Fernando durante comemoração da aprovação na UFT Divulgação/Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: Jovem que pensou estar sonhando ao passar em medicina trabalhava com o pai 'roçando juquira' Filha única e estudante de escola pública: saiba quem é a jovem do TO aprovada em medicina em duas federais Jovem de 17 anos é aprovado em medicina na federal e achou que estava sonhando ao ver o resultado: ‘Dormi de novo’ Antes de iniciar o curso, Fernando Abreu contou que, ao ver o próprio nome na lista, demorou para entender que havia sido aprovado na graduação. A notícia, tão esperada por ele, veio de madrugada, quando percebeu que a luz havia voltado após uma queda de energia em sua casa e decidiu conferir a lista do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). “À noite, aqui estava tendo uma chuva muito forte. Aí acordei de madrugada e vi que a energia tinha voltado. Então falei: ‘Vou olhar, né, se saiu o resultado’, e olhei. Vi lá que tinha sido chamado na chamada regular do Sisu. Fui conferir e foi quando pensei: ‘Devo estar sonhando’, e dormi de novo. Quando acordei, estava realmente lá, chamado”, disse em entrevista à TV Anhanguera. O resultado da chamada regular do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 foi divulgado em 29 de janeiro. Percorria 20 quilômetros para estudar Para cursar o ensino médio em um colégio militar, Fernando Abreu precisava se deslocar diariamente cerca de 20 quilômetros. Mesmo com o cansaço físico do trabalho e das viagens, ele mantinha a disciplina nos estudos. "Minha rotina de estudos era ótima. Eu ficava sempre estudando nas horas vagas e tinha uma rotina bem organizada. Às vezes eu tinha que mudar alguma coisa, ir trabalhar e tinha que estudar de noite. Depois de um tempo, passei a estudar na parte da manhã e de noite também", explicou. Apesar da dedicação, a Medicina não era o objetivo inicial. Fernando planejava cursar farmácia e decidiu colocar a nota no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) sem grandes expectativas. "Coloquei minha nota por acaso, nem pensava que eu iria conseguir passar", confessou. O resultado, porém, foi fruto de uma entrega total, especialmente na reta final. Na semana anterior ao Enem, ele chegou a estudar cerca de 10 horas por dia. Para alcançar o objetivo, o jovem precisou abrir mão de momentos de lazer e descanso. "Às vezes ficava até tarde; às vezes dormia quando já chegava da escola por estar muito cansado. Evitava sair de casa para estudar, tive que deixar bastante coisa de lado para dar certo", relembrou. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.