Lula recebe Hugo Motta e líderes da Câmara para jantar na Granja do Torto

Lula e Haddad chegam para jantar com políticos aliados na Granja do Torto O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta quarta-feira (4) o presiden...

Lula recebe Hugo Motta e líderes da Câmara para jantar na Granja do Torto
Lula recebe Hugo Motta e líderes da Câmara para jantar na Granja do Torto (Foto: Reprodução)

Lula e Haddad chegam para jantar com políticos aliados na Granja do Torto O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta quarta-feira (4) o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários para um jantar de confraternização na Residência Oficial da Granja do Torto, em Brasília. O encontro foi articulado pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR). A iniciativa foi pensada como um momento informal de reaproximação do governo após um ano marcado por turbulências na relação entre Executivo e Legislativo. Além de integrantes da base aliada, foram convidados também parlamentares do Centrão. O plano inicial era reunir no mesmo encontro o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e líderes da Casa. No entanto, Lula e Alcolumbre decidiram fazer a reunião após o Carnaval. O motivo, segundo interlocutores, é o baixo quórum de senadores em Brasília nos últimos dias, já que não há sessão presencial nesta semana. Apesar de não ter sido marcado para discutir a pauta legislativa, o jantar ocorre em um momento em que o governo busca apoio para avançar em propostas consideradas populares e que devem ser usadas como bandeiras na campanha pela reeleição do presidente Lula. Entre os temas, o Executivo quer reforçar propostas que miram trabalhadores, como o fim da escala 6x1 e a regulação do trabalho por aplicativo. No jantar, Lula recebeu os deputados ao som de músicas de Geraldo Vandré. Primeiro, colocou “Disparada” e pediu que os parlamentares “preparassem o coração” para o que ele tinha a dizer (em referência à letra da música). Em outro momento, voltou a tocar Vandré, com “Pra não dizer que não falei de flores” (um dos hinos de protesto contra a ditadura militar). Na fala aos convidados, o presidente reconheceu que houve divergências com o Congresso em 2025, mas afirmou que o saldo da relação foi positivo e agradeceu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, pelo apoio em votações consideradas relevantes pelo governo. Motta também discursou e fez elogios ao Planalto, com agradecimentos ao governo. O líder do PP, Dr. Luizinho, presenteou Lula com uma garrafa de uísque. A primeira-dama Janja da Silva participou do jantar — ao contrário de outros encontros recentes com parlamentares. Nos bastidores, aliados avaliam que o encontro simboliza uma mudança de postura do Planalto na relação com o Congresso em ano eleitoral, com Lula buscando reaproximação e tentando atrair o apoio de partidos do Centrão. Os participantes Participaram do encontro os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) e Rui Costa (Casa Civil). Além de ministros, estavam presentes o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Cotado para assumir a articulação política no lugar de Gleisi Hoffmann, Olavo Noleto, atual secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Conselhão), também estava entre os convidados. De parlamentares da base aliada, participaram os deputados: Benedita da Silva (PT-RJ) Arlindo Chinaglia (PT-SP) Aliel Machado (PV-PR) Pedro Lucas (União-MA) Mário Heringer (PDT-MG) Damião Feliciano (União-PB) Jack Rocha (PT-ES) Isnaldo Bulhões (MDB-AL) Paulo Pimenta (PT-RS) Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) Pedro Campos (PSB-PE) Antonio Brito (PSD-BA) Lindbergh Farias (PT-RJ) Fim da escala 6x1 O fim da jornada de trabalho 6x1 virou um dos temas prioritários do governo Lula para este ano. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal reúnem uma série de propostas que tratam do tema. A estratégia inicial do Planalto era apoiar algum projeto já em tramitação em uma das Casas. Mas o governo decidiu que vai enviar ao Congresso um projeto de lei próprio sobre o tema após o Carnaval. A expectativa do governo é pela aprovação ainda no primeiro semestre. Regulação do trabalho por aplicativo O governo deve se reunir nos próximos dias com Hugo Motta para discutir a regulamentação de aplicativos de transporte e entrega. Um grupo de trabalho foi montado no Palácio do Planalto para elaborar propostas sobre o tema. O colegiado é coordenado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O Executivo tem defendido três eixos centrais na regulamentação: a fixação de uma remuneração mínima por entrega ou corrida, com limite para o percentual apropriado pelas plataformas; a transparência dos algoritmos que definem valores pagos aos trabalhadores e a garantia de acesso à Previdência Social, com contribuição majoritariamente patronal. O tema, no entanto, ainda está fora do radar e pode não avançar no primeiro semestre, segundo deputados. Temas de desgaste Além da agenda considerada prioritária, o governo também está preocupado com pautas que podem gerar desgaste e reacender a tensão na relação entre os dois Poderes. Entre os pontos monitorados pelo Planalto estão o PL da Dosimetria, propostas em tramitação na área da segurança pública e a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). No início do ano, Lula vetou integralmente o projeto de lei que reduz penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados por atos golpistas, inclusive pelos episódios de vandalismo de 8 de janeiro de 2023. A proposta ficou conhecida como PL da Dosimetria. A decisão, no entanto, deve ser revista no Congresso. Parlamentares da oposição têm trabalhado para derrubar o veto presidencial. Para a derrubada, são necessários 257 votos de deputados e 41 votos de senadores. O governo também enfrenta resistência nas discussões sobre a PEC da Segurança Pública. Parte do centro e da base aliada tem adotado um discurso mais otimista, principalmente após Motta sinalizar que está disposto a ajudar, o que pode agilizar a análise da proposta. Governadores e alguns parlamentares veem risco de interferência nas competências dos estados, mas o governo deve insistir na aprovação do texto, já que o tema é tratado como peça central para enfrentar a escalada da violência e o poder das organizações criminosas. O Executivo também segue articulando a aprovação da indicação de Jorge Messias para o STF no Senado. A expectativa do governo é enviar ao Congresso, ainda em fevereiro, a mensagem que oficializa a indicação. Após esse passo, Alcolumbre deve remarcar a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A votação chegou a ser marcada inicialmente para 10 de dezembro do ano passado, mas Alcolumbre desmarcou depois de entender que o governo estava manobrando para ganhar tempo e viabilizar reuniões de Messias com senadores.