No meio da enxurrada em Ubá (MG), mulher espera socorro por 3 horas abraçada a um poste: 'Pedindo a Deus para sobreviver'

Depois de alagamento em Ubá, MG, hospital e universidade estão debaixo de lama A medida que os trabalhos de resgate avançam, o número de mortos também vai ...

No meio da enxurrada em Ubá (MG), mulher espera socorro por 3 horas abraçada a um poste: 'Pedindo a Deus para sobreviver'
No meio da enxurrada em Ubá (MG), mulher espera socorro por 3 horas abraçada a um poste: 'Pedindo a Deus para sobreviver' (Foto: Reprodução)

Depois de alagamento em Ubá, MG, hospital e universidade estão debaixo de lama A medida que os trabalhos de resgate avançam, o número de mortos também vai sendo atualizado. Os bombeiro confirmaram, na noite desta quinta-feira (26), que encontraram mais dois corpos em Juiz de Fora. Oficialmente, são 55 mortes em Juiz de Fora e seis mortes em Ubá. A repórter Bette Lucchese estave em Ubá, que fica a duas horas e meia de carro de Juiz de Fora. Ela contou qual é a situação da cidade na noite desta quinta-feira (26). Voltou a chover em Ubá nas últimas horas, o que provoca muita apreensão. Segundo o Corpo de Bombeiros, ocorreram três novos deslizamentos de terra, que atingiram algumas casas. Mas, dessa vez, não houve vítimas. A chuva também provocou novos alagamentos, como na Avenida Beira Rio, uma das mais importantes de Ubá. As ruas estão vazias, principalmente depois que a Defesa Civil emitiu novos alertas de perigo. O calçadão da Rua São José, ponto tradicional do comércio, está tomado por entulho, material descartado pelos lojistas. Muitos perderam todo o estoque. Ao lado, casas que desabaram na segunda-feira (23). A região está sem luz. Em Ubá, seis pessoas morreram e duas seguem desaparecidas. É uma terra arrasada. Tudo está fora do lugar. Este cenário se repete em várias ruas. Enquanto a lama e a sujeira são retiradas de uma rua, outra segue interditada. Não é exagero dizer que moradores ficaram apenas com a roupa do corpo. “Eu ainda moro na parte mais alta, aqui é a casa da família. Aí o pessoal está fazendo mutirão. Minha barbearia é ponto de apoio, trazendo para entregar a eles. Não tem nada. Acabou com tudo, só tem a casa e um sonho”, diz o barbeiro Vitor Paiva. A vida de muita gente ficou por um fio. O torneiro mecânico Luís Antônio Fabiano viu a esposa e a neta em perigo: “A água veio toda aqui para dentro. Aí minha mulher foi pegar a neta dela lá dentro. Com a criança de 7 meses no colo. Ficou com ela no ombro e o outro braço segurando a porta para não morrer afogada, e a água só subindo”, conta. A empresária Edna Almeida da Silva foi arrastada pela força da correnteza para fora da casa onde mora e aguentou três horas abraçada a um poste: “A correnteza muito forte, e eu vendo passar de tudo. Tudo o que você imagina eu vi passar: carro, moto, móveis... Vi minhas coisas passarem, os móveis da minha casa eu vi passar. Eu vi minha cachorrinha passando sem eu poder socorrer ela”. No meio da enxurrada em Ubá (MG), mulher espera socorro por 3 horas abraçada a um poste: 'Pedindo a Deus para sobreviver' Jornal Nacional/ Reprodução Um vizinho jogou uma corda para ajudar no resgate. O namorado de Edna foi levado pela enxurrada e está desaparecido. “Eu perguntei ao moço que jogou a corda: 'Cadê o Luciano?’. Ele só fez assim ó... Ele foi... Ele foi na enxurrada. E eu ali agarrada pedindo a Deus para sobreviver”, relata Edna. Serviços básicos paralisados. A Policlínica da Prefeitura de Ubá ficou debaixo de lama. A água chegou a mais de 2 m, quase no teto. Medicamentos e vacinas perdidos. Assim como os prontuários dos pacientes. “Estamos no pátio de um hospital que funciona há 30 anos aqui em Ubá. Vejam onde estão macas, cadeiras... Vamos entrar agora? Hoje é dia de faxina geral por aqui. Aqui funcionava a recepção. Dá licença, boa tarde. Aqui funcionavam os consultórios, a parte de internação, os consultórios...Tudo ficou tomado pela lama. Aqui um rapaz carregando o que não pode mais ser aproveitado. Esta é uma das partes mais importantes do hospital: onde eram realizadas tomografias e mamografias. Tudo destruído”, conta a repórter Bette Lucchese. Serviços básicos paralisados em Ubá (MG) Jornal Nacional/ Reprodução Prejuízos também na educação. A diretora da Universidade Estadual de Minas Gerais leva até o subsolo da instituição: devastado. “Acabamos de retirar todo material que foi perda total. Simboliza um retrocesso na educação, perda direta não só para os nossos alunos, mas para o município, para região inteira. Um dano de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões de perda entre material bibliográfico e equipamentos de laboratórios que tínhamos aqui no subsolo”, diz Kelly da Silva, diretora da UEMG. “A gente tem muitos alunos que moram fora de Ubá, que vêm de ônibus, e as pontes caíram. Acabou a luz. As pontes caíram todas. Não vai adiantar eu ficar na minha casa chorando. A gente vai ter três dias de limpeza”, diz a aluna da UEMG Carolina Soares. Serviços básicos paralisados em Ubá (MG) Jornal Nacional/ Reprodução E é dessa força coletiva e persistente que nasce a resiliência. “Onde a gente mora não atingiu. Onde atingiu, a gente dá uma força”, conta o voluntário Sebastião Simião. “A vida é assim: se perde hoje, ganha amanhã. Ninguém passa pela Terra sem sofrer”, diz um morador. 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