Passarela em obra da COP 30 já havia sido alvo de críticas e vistoria do Crea-PA antes de ser desmontada em Belém
CREA-PA fez vistoria em passarela retirada por risco de cair A passarela de 36 metros instalada na avenida Júlio César, em Belém, foi desmontada nesta quarta...
CREA-PA fez vistoria em passarela retirada por risco de cair A passarela de 36 metros instalada na avenida Júlio César, em Belém, foi desmontada nesta quarta-feira (11) após risco de queda. Em 2025, a estrutura já havia sido alvo de críticas e de vistoria do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará (Crea-PA), por causa da altura considerada baixa por motoristas e moradores. A passarela integra as obras do Parque Urbano Igarapé São Joaquim, uma das construções prometidas para a COP 30 e não entregue a tempo da realização da Conferência do Clima. ✅ Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Em nota, CREA afirmou que atuação do “conselho ocorreu dentro de suas atribuições legais, que consistem em fiscalizar o exercício profissional da engenharia” - leia a nota completa mais abaixo. Estrutura criticada desde inauguração Logo após ser entregue, em outubro de 2025, a passarela foi alvo de críticas de pedestres, motoristas e moradores da região. Muitos apontavam que a altura era insuficiente para a passagem de veículos de grande porte. Carreta quase fica presa ao passar embaixo de nova passarela na av. Júlio César, em Belém Ainda naquele mês, uma carreta quase ficou presa sob a estrutura, e dois caminhões-cegonha acabaram retidos, provocando congestionamentos na avenida. Em vistoria realizada na época, o Crea-PA constatou que a altura livre da passarela era de 4,77 metros: superior ao limite de 4,40 metros estabelecido para veículos em vias urbanas. Mesmo assim, o consórcio responsável decidiu aumentar a altura para 5,2 metros após as ocorrências. “Nosso papel é garantir que cada obra pública ou privada respeite as normas e seja conduzida com responsabilidade”, declarou, à época, a presidente do Crea-PA, engenheira Adriana Falconeri. Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Crea-PA informou que sua atuação ocorreu “dentro das atribuições legais”, voltadas à fiscalização do exercício profissional da engenharia e à verificação da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) das obras. O Consórcio Igarapé São Joaquim, responsável pela obra, informou, em nota, que seu corpo técnico está “totalmente mobilizado” e atua “com prioridade máxima para identificar as causas da falha e definir soluções de engenharia que eliminem riscos e minimizem impactos à população”. Perícia e análise técnica O tráfego na via foi liberado por volta das 13h40, após o término da operação de remoção da parte da passarela que ficava sobre a pista. O serviço mobilizou guindastes de grande porte, técnicos da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) e do consórcio responsável pela obra. Construída na avenida Júlio César, passarela faz parte das obras do Parque Urbano Igarapé São Joaquim. Ascom Seinfra Segundo a prefeitura, a desmontagem, o transporte e o eventual reforço estrutural serão custeados pelo Consórcio Igarapé São Joaquim, formado pelas empresas Construbase Engenharia e HTBR Arquitetura e Engenharia, sem ônus para o município. De acordo com a Seinfra, a decisão foi preventiva. “A passarela segue estável e é monitorada pelos técnicos, com auxílio de topógrafo. Mesmo assim, decidimos agir de forma preventiva. A prioridade é garantir que, quando for reinstalada, ela ofereça total segurança para os pedestres”, afirmou o secretário Arnaldo Dopazo. Na última terça-feira (10), a Polícia Científica realizou uma perícia na estrutura para identificar possíveis falhas ou indícios de desgaste. Os peritos observaram elementos como fissuras, deformações e fragilidades nos pontos de sustentação. O objetivo é reunir dados técnicos que ajudem a determinar as causas do problema e embasar as medidas de segurança necessárias, informou a Polícia Científica. Retirada de passarela interdita a avenida Júlio César e surpreende motoristas em Belém Obra da COP O Parque Urbano Igarapé São Joaquim é uma das obras prometidas para a COP 30. O projeto se estende por 5 km, da avenida Júlio César, no bairro da Marambaia, até as margens da Baía do Guajará, atravessando seis bairros da capital paraense. Com orçamento total de R$ 173 milhões, sendo R$ 150 milhões provenientes da Itaipu Binacional e R$ 23 milhões da Prefeitura de Belém, a obra é gerida pela Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservacao Urbana (Sezel). Os trabalhos começaram em julho de 2024 e tinham previsão de conclusão da primeira etapa em outubro de 2025. Posicionamento do Crea-PA "O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Pará (Crea-PA) esclarece que, no episódio ocorrido em outubro de 2025 envolvendo caminhões que ficaram presos sob a passarela da Avenida Júlio César, a atuação do Conselho ocorreu dentro de suas atribuições legais, que consistem em fiscalizar o exercício profissional da engenharia, verificando se as atividades técnicas estão sendo realizadas por profissionais habilitados e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Na ocasião, a fiscalização realizada pelo Crea-PA teve como objetivo verificar os aspectos relacionados ao exercício profissional e esclarecer dúvidas sobre a altura da estrutura em relação às normas de trânsito vigentes. A verificação constatou que a altura livre da passarela atendia aos parâmetros estabelecidos pela legislação. É importante destacar que o Crea-PA não projeta, não executa e não realiza manutenção de obras públicas ou privadas, nem possui competência legal para avaliar, determinar ou acompanhar a execução estrutural das obras, atribuições que cabem aos responsáveis técnicos pelos projetos e aos órgãos gestores da obra. A análise estrutural da passarela, bem como a identificação das causas do problema que levou à necessidade de retirada da estrutura, são responsabilidades dos profissionais responsáveis pela obra e dos órgãos públicos responsáveis pela sua gestão e fiscalização contratual. O Crea-PA reforça que permanece à disposição das autoridades e instituições competentes para colaborar tecnicamente no que for necessário, dentro de suas atribuições legais, sempre em defesa da responsabilidade técnica e da segurança da sociedade. Caso sejam identificadas condutas profissionais que configurem negligência, imprudência ou imperícia, o Conselho poderá apurá-las por meio dos procedimentos éticos cabíveis". VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA