Quanto mais ativo, melhor: metas acima de 150 minutos de exercício por semana podem ampliar proteção cardiovascular

Exercício físico ajuda a reduzir o risco de problemas cardiovasculares. Freepik A prática de exercício físico é reconhecida como uma excelente medida para...

Quanto mais ativo, melhor: metas acima de 150 minutos de exercício por semana podem ampliar proteção cardiovascular
Quanto mais ativo, melhor: metas acima de 150 minutos de exercício por semana podem ampliar proteção cardiovascular (Foto: Reprodução)

Exercício físico ajuda a reduzir o risco de problemas cardiovasculares. Freepik A prática de exercício físico é reconhecida como uma excelente medida para reduzir o risco de doenças crônicas. Mas a recomendação de no mínimo 150 minutos de atividade por semana pode ser insuficiente para diminuir de maneira significativa a chance de desenvolver problemas cardíacos. Resultados de uma nova pesquisa publicada na revista científica "British Journal of Sports Medicine" mostram que, para ampliar esse efeito, são necessários entre 560 e 610 minutos por semana de exercício de intensidade moderada a vigorosa. ➡️As diretrizes mais atualizadas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que adultos façam 300 minutos de atividade física moderada ou 150 minutos de exercício intenso por semana. Ou seja, os pesquisadores descobriram que o ideal, quando o assunto são problemas como infartos e derrames, é quase duas vezes maior do que a meta atual colocada pela OMS. VEJA TAMBÉM: Fazer exercício no horário certo pode potencializar benefícios ao coração Não que aqueles que são considerados ativos pela OMS já não tenham benefícios. Aiden Doherty, professor de Informática Biomédica na Universidade de Oxford que não teve participação no estudo, analisa que a prática por 150 minutos semanais está associada a uma redução de 8% a 9% no risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Mas a pesquisa mostra que esses benefícios podem ser ainda mais ampliados se a prática é mais duradoura. "Para alcançar uma proteção substancial, definida como uma redução de risco superior a 30%, foram necessários entre 560 e 610 minutos por semana de exercício moderado a vigoroso", demonstram os pesquisadores no estudo. Análise de longo prazo O grupo analisou dados de mais de 17 mil pessoas que participavam do UK Biobank (banco de dados biomédicos de larga escala e de longo prazo no Reino Unido) entre 2013 e 2015. Os participantes usaram um dispositivo no pulso por sete dias consecutivos para registrar seus níveis habituais de exercício. O período de acompanhamento foi entre sete e oito anos. Também foram incluídos outros fatores importantes na avaliação como: Tabagismo Consumo de álcool Autoavaliação de saúde e dieta Índice de massa corporal Frequência cardíaca em repouso Pressão arterial LEIA TAMBÉM: Caminhada perfeita: existe um número ideal de passos para ser ativo? Veja 5 dicas de como melhorar o exercício Caminhar ou correr: para a mesma distância, o que consome mais energia? Desigualdade na prática de exercício físico Ainda que o estudo tenha mostrado que, para uma redução do risco cardiovascular significativa, seriam necessários mais de 560 minutos por semana de exercício, esse nível de atividade foi atingido por apenas 12% dos participantes. Outro ponto destacado pelos pesquisadores foram a desigualdade entre indivíduos já ativos e entre aqueles considerados mais sedentários. A análise mostrou que indivíduos com menor nível de condicionamento físico precisaram de aproximadamente 30 a 50 minutos adicionais por semana em comparação com aqueles com alto condicionamento para ter benefícios equivalentes. "Por exemplo, para alcançar uma redução de 20% no risco de eventos cardiovasculares, foram necessários 370 minutos de atividade física moderada a vigorosa para aqueles com menor condicionamento, em comparação com 340 minutos para os indivíduos com os níveis mais altos de aptidão física", afirmam os pesquisadores. Também por esse motivo, Doherty pontua que os números precisam ser relativizados. "Não podemos enfatizar demais o número de 560 a 610 minutos de exercício por semana. Embora seja verdade que aqueles que se envolvem em mais de 1 hora e 20 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia obtenham benefícios cardiovasculares, essa não é uma mensagem de saúde pública adequada", analisa. Ele ressalta que a população deve continuar a buscando pelo menos 150 minutos de atividade física moderada a vigorosa por semana. E, claro, quanto mais, melhor. Limitações do estudo Como se trata de um estudo observacional, não é possível tirar conclusões definitivas sobre causa e efeito, isto é, a pesquisa traz apenas uma associação entre os fatores. Outra limitação destacada pelos pesquisadores é que a capacidade cardiorrespiratória dos participantes foi estimada e o tempo sedentário ou de atividades de menor intensidade não foram medidos. “Diretrizes futuras podem precisar diferenciar entre o volume mínimo de atividade moderada a vigorosa necessário para uma margem básica de segurança e os volumes substancialmente maiores necessários para uma redução ideal do risco cardiovascular”, conclui o grupo. Aiden Doherty relembra que as diretrizes de saúde pública estão atualmente em revisão e que o conjunto de dados pode servir de base para refletir sobre metas mais ambiciosas na práticas de exercícios físicos.