Quem é Alessandro Vieira, relator de CPI que pediu indiciamento de Toffoli, Moraes e Gilmar

CPI vota hoje pedido de indiciamento de PGR e 3 ministros do STF O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ...

Quem é Alessandro Vieira, relator de CPI que pediu indiciamento de Toffoli, Moraes e Gilmar
Quem é Alessandro Vieira, relator de CPI que pediu indiciamento de Toffoli, Moraes e Gilmar (Foto: Reprodução)

CPI vota hoje pedido de indiciamento de PGR e 3 ministros do STF O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) é o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, cujo relatório deve ser votado na tarde desta terça-feira (14). Nele, o senador pede o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, Alexandre de Moraes Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. A atuação na relatoria da comissão reforçou o perfil do parlamentar, que tem como uma de suas bandeiras a luta contra a corrupção. LEIA TAMBÉM: Relator da CPI do Crime Organizado propõe indiciamento de PGR, Toffoli, Moraes e Gilmar Mendes Natural de Passo Fundo (RS), Vieira construiu carreira em Sergipe, estado que representa no Senado desde 2019. Antes de ingressar na política, atuou por mais de duas décadas como delegado da Polícia Civil, com passagem por áreas como combate à corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra a vida. Também ocupou o cargo de delegado-geral da corporação no estado. Senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ascom A experiência na segurança pública ajudou a moldar sua imagem política. Desde o início do mandato, se apresenta como defensor de pautas ligadas ao enfrentamento do crime organizado e ao fortalecimento de mecanismos de controle institucional. Esse posicionamento o levou a assumir protagonismo em comissões parlamentares de investigação e em debates de grande repercussão nacional. Um dos debates em que esteve presente foi da chamada PEC da Blindagem, em 2025, quando assumiu a relatoria do projeto de emenda constitucional na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). Na época, o presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA) decidiu indicar o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para ser o relator da PEC da Blindagem pelo "notório saber jurídico" do senador, que é delegado de carreira. Alencar também ressaltou que pesou na escolha de Alessandro Vieira, para aquela relatoria, o fato de o senador ser membro do MDB, um partido historicamente, segundo ele, ligado à luta pela democracia e justiça. Senador Alessandro Vieira durante CCJ para votar parecer contrário à PEC da Blindagem Geraldo Magela/Agência Senado Nas redes sociais, Vieira defendeu seu parecer contra a PEC: "Recebi do presidente da CCJ a missão de relatar a chamada PEC da Blindagem no Senado. Minha posição sobre o tema é pública e o relatório será pela rejeição, demonstrando tecnicamente os enormes prejuízos que essa proposta pode causar aos brasileiros", escreveu o relator. Vieira combina perfil de segurança pública com atuação institucional dura, especialmente em assuntos de combate ao crime organizado e controle de abusos de poder. Suas posições, frequentemente, o colocaram no centro de disputas políticas fortes, como nas discussões sobre o STF e o Banco Master. Relatório da CPI do Crime Organizado O relatório final da CPI do Crime Organizado, aponta que há indícios de crimes de responsabilidade por parte do PGR e dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. 🔎Este texto não é o final da CPI, já que o documento ainda precisa ser votado pela comissão. Os parlamentares ainda vão decidir se aprovam as propostas de indiciamentos e recomendações feitas pelo relator. A votação ocorre ainda nesta terça, data prevista para a conclusão dos trabalhos. ➡️As conclusões da CPI e o relatório final — desde que aprovados pela maioria dos integrantes do colegiado — devem ser enviadas ao Ministério Público Federal. É a PGR que analisa e decide se deve, ou não, fazer uma denúncia ao STF contra os investigados (entenda mais aqui). A TV Globo questionou o Supremo e os ministros sobre os pedidos de indiciamento, mas ainda não obteve retorno. A PGR afirmou que não vai se manifestar. Segundo o senador, o documento já foi protocolado nos registros da comissão no Senado. No relatório, ele afirma que a CPI foi alvo de "flagrante limitação de recursos", agravada pelas "enormes barreiras políticas e institucionais levantadas enquanto as informações sobre fatos relacionados a figuras imponentes da República" começaram a ser investigadas. Por isso, entre os motivos de indiciamento, "é razoável que a decisão se concentre naqueles fatos e indivíduos que estão fora do alcance dos meios usuais de persecução e que podem ser sujeitos ativos de crime de responsabilidade". 🔎Crimes de responsabilidade são atos cometidos por presidentes, ministros e outros agentes públicos que ameacem a Constituição, a União, o funcionamento dos Poderes, os direitos políticos e a segurança interna, entre outros. A sanção é política, podendo resultar na perda do cargo ou na inelegibilidade. Segundo o relator da CPI, os ministros citados deveriam ter se declarado suspeitos para julgar o caso do banco Master no Supremo, devido a supostas relações de proximidade com os envolvidos no caso. Principalmente o dono do banco, Daniel Vorcaro. LEIA TAMBÉM Toffoli admite ser sócio de empresa que vendeu resort e nega amizade ou pagamentos de Vorcaro Moraes viajou em jatos de empresa de Daniel Vorcaro pelo menos oito vezes no ano passado, diz jornal Master pagou R$ 80 milhões a escritório de esposa de Moraes, apontam dados da Receita Banco Master. Reprodução/TV Globo