Trabalhadora picada 300 vezes no rosto por abelhas-europeias foi atacada por 40 minutos: 'Nova chance'
Mariana após o ataque Reprodução/Redes Sociais A topógrafa Mariana Braga Solto, de 40 anos, foi atacada por abelhas-europeias na segunda-feira (6), enquanto...
Mariana após o ataque Reprodução/Redes Sociais A topógrafa Mariana Braga Solto, de 40 anos, foi atacada por abelhas-europeias na segunda-feira (6), enquanto trabalhava para a Prefeitura de Lagoa Formosa, no Alto Paranaíba. O ataque durou cerca de 40 minutos. Segundo a vítima, ela sofreu mais de 300 picadas e ficou com cerca de 100 ferrões pelo corpo. O ataque ocorreu durante a medição de um terreno ao lado de uma usina de reciclagem, na Rua América Mundim Avelar, na região do Sapé. A topógrafa estava com dois servidores municipais, que também foram picados, mas passam bem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Apesar do susto, Mariana disse que está bem. “Deus permitiu que eu tivesse uma nova chance”. “São 18 anos de profissão, o mais engraçado é que pouco antes do ataque eu disse que o único inseto que me amedronta são as abelhas. Fica o aprendizado de que precisamos estar atentos a tudo. Não vou parar com a minha profissão, porque gosto do que faço e não tenho medo, mas quero trabalhar com mais proteção, usando luvas e outros equipamentos de segurança”, disse Mariana. 🔎 Abelhas-europeias são uma espécie usada na produção de mel, cera e geleia real. Na farmacologia, também são aproveitados produtos como o própolis e o veneno. Apesar de não serem consideradas tão agressivas quanto outras variedades, elas podem atacar quando se sentem ameaçadas. “Acharam que estava morta” Segundo Mariana, no dia do ataque, ela estava com outros dois profissionais para medir um terreno. O grupo caminhava por uma grota seca, enquanto os colegas abriam caminho com uma foice. Durante o trajeto, um dos trabalhadores atingiu uma colmeia, e as abelhas começaram o ataque. Mariana disse que os três tentaram correr. No entanto, como ela matou alguns insetos, acabou sendo alvo da maior parte das ferroadas. “Eu saí correndo e, nesse momento, desmaiava e acordava várias vezes. Matei muitas abelhas, mas havia muitos ferrões e, quanto mais eu tentava afastá-las, mais apareciam. Perdi diversos equipamentos durante a fuga e fui tentando chegar a um local mais alto. Minha vista começou a escurecer. Elas picaram muito os meus olhos, então me debrucei no chão e deixei que continuassem me picando na cabeça e no pescoço”, relembrou. Mariana contou que os colegas chegaram a pensar que ela estava morta e se desesperaram. O coordenador da Secretaria de Obras de Lagoa Formosa, Bruno Álvaro da Mota, disse que não estava com o grupo no momento do ataque. Segundo ele, houve correria após a informação de que a topógrafa estaria morta e um pedido de socorro. “Eles realmente acharam que ela estava morta. Eu fui até ela e consegui pegá-la de apoio nos braços e andar alguns metros. Logo os socorristas chegaram. Eu tive certeza de que ela não estava morta porque estava em uma área aberta e eu via que ela estava se mexendo. Se ela tivesse alergia, ela não teria sobrevivido”, afirmou Bruno. Local onde topógrafa foi atacada Prefeitura Municipal de Lagoa Formosa/Divulgação LEIA TAMBÉM: Caminhonete com 40 caixas de abelhas vivas capota Pescador morre após ser atacado por abelhas em represa Morte de 15 milhões de abelhas é investigada em Uberlândia Pedido para Deus Segundo Mariana, durante o ataque, ela pensava em rever as filhas. Após ser socorrida, recebeu os primeiros atendimentos na ambulância e foi levada para o hospital da cidade. “Durante todo o momento eu pedia para Deus deixar que eu visse minhas filhas crescerem”. No hospital, Mariana teve mais de 100 ferrões retirados do corpo. Apesar disso, ela disse que não ficou com marcas. Para a topógrafa, a fé foi fundamental para sua proteção. “Eu entreguei minha vida a Deus e fico feliz que ele tenha me deixado aqui” Por que vítima não ficou inchada? Em ataques de abelhas, é comum que a vítima apresente inchaço nas regiões afetadas. No entanto, uma foto de Mariana ainda no hospital mostra que ela não teve esse tipo de reação. De acordo com a infectologista do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), Francielly Gastaldi, a ausência de inchaço intenso após várias picadas não significa, necessariamente, que o caso seja menos grave. Segundo a especialista, em casos mais graves, o organismo pode não liberar histamina suficiente para causar o inchaço típico, mesmo com um envenenamento severo. 🔍 A liberação de histamina é uma resposta natural do organismo diante de alergias, inflamações ou agressões ao corpo, como picadas e infecções, e tem a função de ajudar na defesa do organismo ao aumentar a circulação sanguínea e a permeabilidade dos vasos na região afetada, facilitando a chegada de células de defesa ao local. Esse processo costuma provocar reações como inchaço, vermelhidão, coceira e sensação de calor, que são sinais típicos da resposta inflamatória do corpo. Ainda segundo Francielly, a ausência de inchaço não elimina o risco de complicações graves. Isso porque a grande quantidade de toxinas pode causar lesões nos rins, nos músculos e até no coração, dependendo do volume de veneno recebido. Abelha-europeia Abelha-europeia Mário Gomes A abelha-europeia (Apis mellifera) é um dos insetos mais conhecidos no mundo. A importância econômica da espécie é reconhecida por produtores de mel, cera e geleia real. Na farmacologia, própolis e veneno são aproveitados. As abelhas-europeias são grandes, mais escuras, têm poucas listras amarelas no corpo e se caracterizam pela língua curta, que dificulta o trabalho em flores profundas e as tornam mais nervosas e irritadiças. Por outro lado, adaptam-se com facilidade a diferentes ambientes. O ferrão pode causar reações alérgicas e, dependendo do número de ferroadas, chega a ser fatal. O ataque de um enxame pode provocar a morte de animais. ASSISTA: Homem é internado após ser atacado por enxame de abelhas Homem é internado após ser atacado por enxame de abelhas em Uberlândia VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas