Uso de fertilização in vitro impulsiona melhoramento genético de gado em Roraima

Fertilização In Vitro é uma técnica de reprodução assistida que tem sido usado em rebanhos de Roraima Reprodução/Amazônia Agro A busca por um rebanho m...

Uso de fertilização in vitro impulsiona melhoramento genético de gado em Roraima
Uso de fertilização in vitro impulsiona melhoramento genético de gado em Roraima (Foto: Reprodução)

Fertilização In Vitro é uma técnica de reprodução assistida que tem sido usado em rebanhos de Roraima Reprodução/Amazônia Agro A busca por um rebanho mais produtivo tem levado pecuaristas de Roraima a investir em tecnologia dentro das fazendas. Uma das ferramentas que vem ganhando espaço é a fertilização in vitro (FIV), técnica feita em laboratório que acelera o melhoramento genético dos animais. O assunto foi destaque no Amazônia Agro deste domingo (17). O que é a FIV: é uma técnica de reprodução assistida usada na pecuária para acelerar o melhoramento genético do rebanho. O procedimento é feito em laboratório, onde embriões gerados a partir de vacas e touros selecionados são transferidos para outras vacas responsáveis pela gestação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp O movimento em Roraima acompanha o crescimento da pecuária no país. Em 2024, o Brasil chegou a 238,2 milhões de cabeças de gado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Roraima, são mais de 1 milhão de bovinos, distribuídos entre propriedades de corte e de leite. Em Bonfim, o pecuarista João Pedro decidiu apostar a FIV. Há cerca de cinco anos na atividade, ele mantém um rebanho com aproximadamente 400 cabeças. Recentemente, realizou, pela primeira vez, o procedimento de fertilização in vitro na propriedade. “A gente escolheu porque tem gado que é menos selecionado, e comprar matrizes ou touros puros acaba ficando muito caro pra fazer em larga escala. Com a FIV, a gente consegue trazer esse resultado pra dentro da fazenda. O animal já nasce adaptado e fica mais viável economicamente”, explica. Na Fazenda Reforma, 55 vacas foram selecionadas para atuar como receptoras, as chamadas “barrigas de aluguel”. Segundo estimativas técnicas, cerca de 80% delas devem seguir com a gestação após a transferência dos embriões. Fertilização In Vitro é feita em rebanhos roraimenses Reprodução/Rede Amazônica O processo começa com a escolha de vacas com melhor padrão genético, chamadas de doadoras. Os óvulos são coletados com auxílio de ultrassom e levados ao laboratório, onde são fecundados com sêmen de touros selecionados. Depois, os embriões retornam à fazenda e são transferidos para vacas receptoras, responsáveis pela gestação. Na prática, isso permite multiplicar características desejadas em menos tempo, algo que levaria anos na reprodução tradicional. LEIA TAMBÉM: Agronegócio, produção rural: tudo sobre o Amazônia Agro Veja todas as reportagens do agro em Roraima Aliada da produtividade Segundo o médico veterinário Júnior Santana, especialista em embriologia, a técnica tem sido uma aliada importante para aumentar a produtividade e o valor dos animais no mercado. “A FIV em Roraima vem crescendo bastante nos últimos anos. Os produtores estão muito satisfeitos com os resultados, tanto na pecuária de leite quanto na de corte. Eles já conseguem ver a diferença na evolução do rebanho, com bezerros de alta qualidade genética”, afirma. Para ampliar o acesso à tecnologia, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Roraima acompanha propriedades rurais por meio do projeto de bovinocultura de corte. Atualmente, cerca de 50 fazendas participam da iniciativa. Por meio do Sebraetec, os produtores conseguem realizar a fertilização in vitro com subsídio de até 75% dos custos, o que facilita a adoção da técnica, principalmente entre pequenos e médios pecuaristas. Segundo o gestor do projeto, Victor Glienke, só em 2025 foram 848 embriões entregues em propriedades do estado, um aumento em relação aos anos anteriores. “A gente faz uma análise da propriedade e entra com consultoria de gestão e técnica pra ver se o produtor tem viabilidade de realizar o serviço. Hoje, o Sebraetec com FIV e IATF é um dos produtos de maior sucesso. Quando o animal nasce por FIV, ele tem registro dos pais e pode ser certificado, o que agrega ainda mais valor ao rebanho”, destaca. Com apoio técnico e incentivo financeiro, a expectativa é de que mais produtores invistam na genética do rebanho e fortaleçam a pecuária no estado nos próximos anos. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.